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Capítulo 37 · Chamas Celestes

Capítulo 37

37 de 40 ≈ 17 min de leitura

Passaram o restante da noite pesquisando. Kasphio ajudava muito: era extremamente sagaz e muito apto a descobrir coisas escondidas e ler nas entrelinhas. Era uma coisa inigualável; acho que por isso os bibliotecários passavam seus ofícios de pais para filhos. Era incrível como ele conseguia catalogar tudo tão rapidamente, mentalmente. Deveras impressionante. Anotaram parte da profecia que ele recitara para todos novamente e depois ficou tão tarde que simplesmente foram, cada um, às suas camas.

Ambhar pensava em Fayne e na conversa que haviam tido na noite passada. E, depois da discussão, Ambhar não conseguiu dormir; saiu e foi para seu quarto no castelo. E, logo cedo, arrumou suas poucas coisas e foi em direção à plataforma de pouso das carruagens. Sentia-se solitária, vendo Leigh com Tarwin e Saphyre com Kaeidh. Dois casais tão perfeitos!

Bem, não sabia se Tarwin era casal de Leigh, mas os olhares encantados que ele dava a ela quando ela não via — e vendo que Leigh fazia o mesmo com ele — era de se supor que, se não eram um casal, em breve seriam. E o garotinho adorável de Leigh também se mostrava totalmente conectado com Tarwin, como se ele fosse um herói. Era muito encantador, e Ambhar queria que alguém olhasse para ela e a quisesse tanto quanto via Kaeidh olhar para sua irmã.

E, quando eles achavam que ninguém via, davam lânguidos olhares um para o outro. De certo estavam se falando mentalmente.

Ehoje à noite, Leigh havia pedido para as duas a ajudarem com um negócio que Saphyre já sabia o que era. Eu olhei para Saphyre e ela apenas tocou minha mão e falou: — Ela te conta… a história é longa. — Virou para Leigh. — Leigh, tudo bem você contar sobre isso, sabe… para Ambhar? — Vamos por ali… fingir que vamos pegar um livro? Então Leigh contou toda a história, com detalhes que não havia dito para Saphyre, mas que, como Saphyre estava ali, já ficou sabendo.

Ela não contou antes porque estava muito nervosa e irritada de ciúmes e raiva da ninfa. — Então, você não perguntou absolutamente nada para ninguém, nem para os anciãos fantasmas? E eles são importantes por quê? — perguntou Ambhar. — Anciãos etéreos. Eu não sei… mas sei que todos que acham seu âme sœur vão lá falar com eles. Eu não fui. Achei que teria tempo, porque havíamos concordado em nos divertir antes de ficar juntos, mas depois eu vi Tarwin e fiquei chocada, confusa e envergonhada.

Como eu diria para Sharif e Tarwin — minha família, amigos e irmão — que eu tinha dois âme sœur? Como eu iria me dividir entre os dois? Eu estava horrorizada. E eu ainda não entendo. Preciso aproveitar esta biblioteca e tentar achar algo sobre. — É só pedir mentalmente o que você quer. Faleey disse isso, eu acho. Foi o que eu entendi, pelo menos. — falou Ambhar. — Mas, se eu fosse você, aproveitaria o máximo que pudesse. Digo… olhe para aquele tritão: ele é quente, Leigh! E continua sendo seu âme sœur?

— Sim, isso não some com o tempo. E ele realmente é muito, muito quente, Ambhar. — falou Leigh e deu uma risadinha, olhando para Tarwin. O olhar dele captou o dela e o prendeu, fazendo com que a respiração dela ficasse presa por instantes. — Mas preciso realmente falar com os anciãos. Espero que aqui haja algum portal. Vou perguntar a Faleey.

Ela foi em direção a Faleey e o chamou para perguntar discretamente. Ambhar sentou-se ao lado de Saphyre e ficaram lendo livros sobre seus ancestrais. Elas podiam manipular água, ar, fogo, terra e muito mais coisas que elas nem imaginavam. Basicamente tudo que existia no planeta. Talvez ela, Saphyre e Emeraldy tivessem algo a mais por causa de seu pai. Saphyre já havia testado e tinha dito a Ambhar que tinha a mesma singularidade que Kae: ela havia criado em si guelras para nadar embaixo da água.

Ambhar tentaria também. Saphyre estava atenta lendo, e ouviu Kae falando em sua mente as palavras que ele lia em seu livro. Era, para ela, como se estivesse lendo dois livros ao mesmo tempo. Achou extremamente interessante e útil. Faleey veio com livros de aparência muito antiga, com as bordas douradas e, entalhado na capa, todos os elementos. Parecia, para Saphyre, uma relíquia que deveria estar dentro de uma redoma.

Na capa, entalhada com feras — uma aparentemente lupina, mas maiores e muito mais aterrorizantes; algumas que se pareciam com outros animais grandes; entre outras, com chifres e garras enormes — havia incrustações de pedras e minerais. E, em cima, havia algo escrito em uma língua que ela nunca havia visto. Kaeidh abriu os olhos como pratos, totalmente surpreso com a raridade. — Este deu um pouco mais de trabalho para achar. Este é o Livro dos Elementais. O problema é que está escrito na língua original deles.

— Eu sou muito bom com linguagens. Posso tentar? — falou Kasphio. — Claro, por favor. — respondeu Faleey, colocando e abrindo o livro em cima da mesa. Na primeira folha não havia nada. Já na segunda, eles viram um mapa de alguma parte de Kalimares que não sabiam onde era. — Alguém conhece esse local? — perguntou Faleey.

Tarwin e Kaeidh se olharam, fazendo que não com a cabeça. — Não faço a mínima ideia de onde é isso. Eu… realmente não sei. — falou Kae. — Eu não sei onde fica, mas sei o que está escrito nele. — falou Kasphio. Todos o olharam. — Ei, eu não sei de onde vem isso, mas posso ler coisas em línguas que nunca nem mesmo vi. Eu só posso. — E o que está escrito? — perguntou Saphyre. — Acho que seria bom ir anotando em um papel, não é? Eu acho. — Sim, claro. Podemos anotar. — falou Faleey.

— Então, aqui fala de uma fenda, no local antigo de onde se originou a vida. Alguém sabe onde é isso? — perguntou Kasphio. — Existem lendas de uma outra montanha, chamada Toiseach Beatha… mas temos que passar o Mar Sesânico. — explicou Tarwin. — E depois há uma viagem pela extensa Floresta Primordial. Não há registros sobre o que se passa naquela região. Lá ficam os seres mais primitivos existentes; geralmente, seres que não vivem em cidades e em paz com outros, somente com seu próprio clã.

Nossas civilizações não interferem na deles há milhares de anos. Mas vamos ao que interessa: o que está escrito na próxima página? Kasphio virou a folha grossa e amarronzada. Ele leu em voz alta: — Esta parte explica um dos muitos poderes que um elemental tem. Fala sobre seu poder primário. Este poder é o mais forte em cada um dos elementais e é o poder que ele vai passar a seus descendentes.

Se o elemental tem o poder da água e consegue se comunicar com ela, ele pode até mesmo tirar a vida de qualquer ser aquático. É por isso que deve tomar cuidado com sua educação, que deve ser feita com muita empatia, não se contaminando das impurezas da maldade. Isto é o mais estranho… pois a maldade

que existe em nosso planeta é apenas a de Borag. Nós somos criaturas sem maldade, não é? — Eu não tenho tanta certeza, mais, sobre isso. Não depois do que vimos e ouvimos na sala da ilha flutuante. — falou Faleey. — Sim, não podemos. — falou Kaeidh. — E o que houve na sala da ilha flutuante? — perguntou Kasphio, curioso. — Apenas ficamos sabendo que nossos ancestrais expulsaram todas as bruxas para a floresta, mesmo as que não eram más; tiraram seus filhos mestiços e as levaram para abrigos.

Só isso já foi uma maldade inacreditável. — Deuses! Eu não sabia disso! Passei meus dias entre livros. — Sim… uma injustiça que estamos começando a reparar. — falou Kaeidh. Kasphio leu e releu várias partes do livro. Ele explicava desde os poderes básicos até os mais complicados, que requerem muito estudo. Na metade dele, todos se retiraram para os quartos designados. Menos Leigh. Kaeidh levou Sorag com ele e Saphyre, para que ela terminasse de ler algo que disse ser pessoal. — Você ficará bem sozinha, irmã?

Saiba que estou aqui por você também. Você é minha família. Pode falar o que quiser ou puder me contar; jamais a julgarei. — disse ele no corredor fora da biblioteca, com Sorag adormecido nos braços. — Eu um dia estarei pronta para isso. Obrigada, Kae. Subirei logo. — Fique tranquila. Saphyre adora Sorag. Ficaremos bem. Descanse esta noite. Manteremos ele em nosso quarto. Quando acordarmos, nos encontramos na sala de café da manhã. Boa noite. — Tudo bem, obrigada. Saphyre a abraçou. — Boa sorte, sis.

— falou baixinho. Ambhar sorriu para ela. Os três subiram.

Leigh voltou à biblioteca, onde Tarwin ainda estava conversando com Kasphio e Faleey. Leigh rapidamente passou um pouco longe deles para não ser vista, subiu as escadas até o último andar e foi até a última prateleira, em busca de privacidade. Talvez chorasse; não queria que os leitores que ainda estavam por ali a vissem. Sentou-se na última mesa, olhou o corredor… tudo silencioso. Inclusive nas outras seções. Estava sozinha, finalmente. Pensou no que queria especificamente.

Esperou um pouco e apareceram dois livros. Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa; achou que iria ter muito mais livros sobre âme sœur. Abriu o primeiro, lendo as palavras, prestando tanta atenção para não perder absolutamente nada. Não podia deixar passar essa oportunidade. Essa biblioteca tinha livros que não existiam no mundo deles — não mais, pelo menos, não após os incêndios. Já estava há uns trinta minutos lendo quando ouviu passos subindo as escadas. Aquietou-se ao perceber que os passos iam para longe.

De repente, um canudo de papiro, muito antigo, pulou ao seu lado na mesa, dando um susto nela. — Uh… que susto. Poderia avisar quando jogar coisas assim. Mas obrigada! — sussurrou para a biblioteca. — O que é isto? Afastou o livro para o lado. Ouviu os passos novamente. Parou. Voltou os olhos para a peça antiquíssima em cima da mesa. Pegou o papiro. Seus olhos ficaram pregados na peça rara, encantada com a delicadeza. Desatou o laço super macio que o prendia, olhou as inscrições e abriu tudo com o maior cuidado.

Tinha muito medo de o papiro simplesmente se desfazer em suas mãos, de tão antigo. Havia um apoiador extremamente delicado, feito especialmente para ler papiros, para que o leitor não ficasse tocando ou forçando a folha a se abrir. Leigh colocou o papiro com cuidado debaixo do apoiador e começou a leitura. Para sua surpresa, estava na língua dos anciãos etéreos. Eram relatos de

casos raros de âme sœur, e ela estava numa parte em que o âme sœur morreu e, na semana seguinte, o elfo achou outro âme sœur. Suspirou; não era seu caso. Foi passando os olhos pelas histórias e viu um caso interessante em que um elfo foi enfeitiçado por uma elfa e que ela conseguiu isso fazendo um feitiço designado dorcha. Leu mais; pensou que não poderia ser. — “O feitiço dorcha é efetivo, mas deixa o que enfeitiçou cada vez mais doente…” — falou baixinho, o coração retumbando, a respiração presa.

— “…só se descobriu isso pois os que lançaram o feitiço morreram… Em alguns casos, os enfeitiçados sofreram por terem dois âme sœur…” — engoliu em seco. — Deuses… Sharif não pode ter feito isso! Tarwin já havia se despedido de Kaeidh, Saphyre, Ambhar e Leigh — que tinham saído com eles — e iria colocar Sorag na cama. Então ele ficou mais um pouco e conversou com Faleey e Kasphio sobre as decisões que tomariam. Kasphio ficou intrigado sobre como conseguiriam destruir Borag.

Tarwin explicou a jogada que fariam — algo que Borag nem imaginava ou esperava. Enquanto falavam, Kasphio explicou que havia um livro sobre as guerras antigas e que, se quisessem, ele mostraria no dia seguinte a todos; talvez ajudasse em algo. Tarwin concordou, juntamente com Faleey. — Oh… parece que sua dama elfa voltou à biblioteca. Está subindo para o último andar, aparentemente. Ela é rápida, não é? — falou Faleey, apontando Leigh para Tarwin. Tarwin virou-se e viu que Leigh já estava lá em cima.

Faleey deixou os óculos deslizarem até a ponta do nariz e falou: — O que está esperando para ajudar a sua dama, rei Tarwin? — Ela subiu sozinha. Portanto, com certeza quer estar sozinha. Se ela quisesse que eu fosse com ela, teria me chamado. — Se você pensa assim… Eu já acho que os olhares dela para você são bem reveladores. Sou observador, você sabe.

— Émesmo, Faleey? — falou Tarwin, enquanto Kasphio apenas olhava o embate de palavras dos dois. — Sim. Tolo eu seria se uma elfa tão sublime como a senhorita Leigh me olhasse dessa forma e eu ficasse esperando mais coisas como um chamado. Se eu não me engano, ela te olha como Kaeidh olha a âme sœur dele… só que com um pouco de sofrimento. Estou correto, Kasphio? Nos ilumine com sua sapiência. — Pelo que eu conheço de elfos, ela com certeza é sua âme sœur. Tarwin olhou para as escadas. — Vá até ela, tritão!

Que coisa! — insistiu Faleey. Tarwin suspirou. Levantou-se e saiu rápido, subindo as escadas. Subiu todos os degraus e, lá em cima, virou à direita. Foi olhando enquanto caminhava pelas estantes enormes. O andar estava vazio a essa hora, e cada seção tinha uma mesa com sofás confortáveis. A iluminação era apenas em cima de onde se colocavam os livros. Tarwin deu a volta pelos fundos da biblioteca e caminhou pela outra parte. Ouviu um sussurro.

Caminhou até de onde vinha e viu Leigh debruçada em cima de um papiro coberto por um aparador; seus olhos liam rapidamente o texto, sua bochecha avermelhada e sua respiração rápida. Ela sussurrou: — “O feitiço dorcha é efetivo, mas deixa o que enfeitiçou cada vez mais doente…” — falou baixinho, o coração retumbando, a respiração presa. — “…só se descobriu isso pois os que lançaram o feitiço morreram… Em alguns casos, os enfeitiçados sofreram por terem dois âme sœur…” — levou a mão à boca. — Deuses!

Sharif não pode ter feito isso! — Leigh. — ele falou. Ela se assustou e deu um pulo no sofá. Ele se aproximou, já a abraçando. Ela o olhou, os olhos repletos de lágrimas. Elas caíram

todas no momento em que encostou a cabeça no peito dele e ficou no abraço. — Eu escolhi errado… — ela soluçou. — Era você… sempre foi você! — Não escolheu errado. Sorag não é produto de um erro. Ele é precioso. A abraçou mais forte. Ele era dela, pensou. Passou todo esse tempo sendo dela. Nunca mais tocou ou beijou ninguém que não fosse Leigh. Mesmo quando se embebedara e voltou para casa, preferiu se isolar e, sem querer, encheu de flores seu refúgio fora do mar… para ela.

Ela foi se aconchegando mais, o coração retumbando no peito. Não conseguia entender por que Sharif havia feito isso. Ficou com um elfo que não era nada além de uma ilusão criada por uma feitiçaria. Um feitiço banido. Lembrou de quando era criança e admirava Tarwin, que era apenas um pré-adolescente. O quanto seus olhos e sua cor de pele a intrigavam. E como ela ficava olhando-o escondida porque tinha vergonha do jovem tritão. Já desde essa época ela dava sinais de que ele era seu âme sœur.

Ela devia ter visto os sinais. O interesse por ele e o dele por ela, mesmo que inocente. Seu choro se acalmou aos poucos. Chorou por todo o tempo que infligiu a si e a ele coisas que nunca deveriam sentir. Por ter sido enganada. O que sentia agora — com ele — mesmo ele apenas a abraçando, sem nenhuma intenção de nada, era muito maior e mais intenso do que sentiu todo o tempo vivendo todos os dias com Sharif, mesmo quando transaram. Ela nunca sentiu a conexão que Saphyre lhe contou. Nunca houve nada disso.

Ela achou que sim na época… achou que era isso mesmo e que todos exageravam. Levantou o rosto. Ele estava lendo o papiro. — Quando foi que se sentiu atraída por Sharif? Quando o conheceu?

— Ele era amigo da família. Os pais dele sempre falavam sobre sermos um casal quando crescêssemos. Para mim, sempre foi normal a convivência com ele… até que, num baile, a mãe dele me chamou. Bebemos juntas e ela reafirmou: se eu não me sentia de forma diferente sobre Sharif. Que era o sonho dela que fôssemos um par. Eu era muito jovem… apenas falei que talvez. Depois disso fomos para o grande salão. Ele entrou e veio direto para mim, e eu me senti estranha na hora. Tive sentimentos que nunca tive antes.

E ele foi todo cativante, até mesmo sedutor e… eu achei muito estranho. Mas apenas me deixei levar. Estou pensando em todos os detalhes… parece que passa uma imagem das joias em minha mente. Eu… Você ao menos se lembra de quando nos vimos pela primeira vez? — Em cada mínimo detalhe. Te achei graciosa, com as orelhinhas pontudas. Seus olhos dourados e cabelos acobreados… Eu queria que fosse minha amiga. Perguntei a Kae sobre você a cada ida dele ao mar. Depois que se escondeu de mim, achei que era muito tímida…

mas sempre pensava em você. Você acha que… — Sim. Sempre me senti atraída por você, para brincar quando pequena… mas tinha muita vergonha. Te achei lindo e intrigante. Passei muito tempo pesquisando sobre tritões. Mamãe falava que era uma fascinação minha… que eu queria ser sereia. Mas era sobre você que eu queria saber. Sempre que eu ia para a casa da praia ou para levar Kae, eu ficava escondida, olhando para vocês. Então cresci e viajei, conheci mil coisas, estudei, trabalhei…

Voltei para casa para participar da polinização e vi você. Foi chocante. Eu nunca imaginei. — Eu fiquei mais encantado ainda… por você. Eu só queria te tocar para ter a certeza que era de verdade. — Eu sei que te fiz sofrer… mas eu também sofri. Muito. — Eu sei. Eu decorei meu castelo… o meu castelo da praia… para você, sabia? Eu achava que você ia descobrir que era tudo um engano… e enchi meu castelo de flores. Para você.

Ela olhou para ele, o coração quase saindo pela boca, de tão emocionada que estava. — Me desculpe por ter descoberto tão tarde. Eu devia ter perguntado. E não deveria ter proibido você de falar nada para Kae. Nem isso eu te dei: o direito de desabafar. — Você acha que é tarde, então? — Eu acho que você não vai querer ficar com alguém que foi enganada. Eu acho que não mereço nada de bom que venha de você… Eu acho que o que te fiz sofrer foi injusto e eu… Ele a beijou. E foi um beijo que fez seus corações baterem além do peito; eles sentiam o pulsar no corpo todo. Beijou-a por todos os anos e anos em que ficaram separados. Todo o tempo que deveriam estar juntos… e que foi roubado deles.

Chamas Celestes

Sinopse

Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.

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Chamas Celestes

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