#Desafio 082
Esgotamento
Não ter forças
e, ainda assim, ir.
Tantos caminhos…
nenhum clamando teu nome.
O cansaço não manda recado.
Chega. Toma. Pesa.
Desfaz teu tempo,
tua pressa,
tua fé.
Te cala.
Te curva.
Te some.
E no vácuo de quem já foi demais,
fica só o eco:
para onde, agora?
Crs Ribeiro
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#Desafio 081
Itacaré
Fui riso aberto,
alma acesa,
verdade sem freio.
E depois?
Quebrei ao meio,
deixei o recheio,
fui fome de mim.
Agora, marés.
Agora, vento.
Me desfaço,
me refaço,
não mais me reparto.
Me reinvento.
Crs Ribeiro
Itacaré
Fui riso aberto,
alma acesa,
verdade sem freio.
E depois?
Quebrei ao meio,
deixei o recheio,
fui fome de mim.
Agora, marés.
Agora, vento.
Me desfaço,
me refaço,
não mais me reparto.
Me reinvento.
Crs Ribeiro
#Desafio 080
A ilusão veio mansa
sussurrou meu sorriso
chegou tão delicada
leu meu desalinho.
Não pediu nada
levou tudo.
Abri os braços
me dei, me desfiz.
Perdi-me no mar
acreditando ser parte dele.
Fiz por dois, fiz demais
desaprendi meu nome.
Vi a vida escapar lenta
virar ausência densa
um gosto ruim na boca
um silêncio seco nos olhos.
E então veio o susto:
o que restou de mim?
Quis voltar
mas o caminho sumiu.
Passado é coisa que não se toca.
O que eu tanto buscava
nunca esteve longe
só precisei abrir a mão.
Agora, basta.
Tempo de ser
sem moldura, sem medo.
Felicidade?
Liberdade, talvez.
O vento bagunçando o cabelo
os passos sem rumo
a leveza de não ter que dar
de não deixar rastro
de ser só o que sou.
E então,
o que falta?
Rompo as correntes
que eu mesma forjei.
Faço do vazio uma trilha
me largo no mundo:
livre, inteira
só minha.
Até o fim.
Crs Ribeiro
A ilusão veio mansa
sussurrou meu sorriso
chegou tão delicada
leu meu desalinho.
Não pediu nada
levou tudo.
Abri os braços
me dei, me desfiz.
Perdi-me no mar
acreditando ser parte dele.
Fiz por dois, fiz demais
desaprendi meu nome.
Vi a vida escapar lenta
virar ausência densa
um gosto ruim na boca
um silêncio seco nos olhos.
E então veio o susto:
o que restou de mim?
Quis voltar
mas o caminho sumiu.
Passado é coisa que não se toca.
O que eu tanto buscava
nunca esteve longe
só precisei abrir a mão.
Agora, basta.
Tempo de ser
sem moldura, sem medo.
Felicidade?
Liberdade, talvez.
O vento bagunçando o cabelo
os passos sem rumo
a leveza de não ter que dar
de não deixar rastro
de ser só o que sou.
E então,
o que falta?
Rompo as correntes
que eu mesma forjei.
Faço do vazio uma trilha
me largo no mundo:
livre, inteira
só minha.
Até o fim.
Crs Ribeiro
#Desafio 079
Queria, de todo o peito,
um dia sem mim.
Sem peso, sem pressa,
sem verbo, sem rima.
Um dia de nada,
um nada de dia.
Mas temo,
desconfio,
suspeito:
quando esse dia vier,
nem estarei para saber.
E se acaso ainda restar de mim
vulto, sombra ou gesto,
fito o espelho,
pergunto em silêncio:
Quem és?
O espelho embaça
e, meio sem graça,
não diz.
Crs Ribeiro
Queria, de todo o peito,
um dia sem mim.
Sem peso, sem pressa,
sem verbo, sem rima.
Um dia de nada,
um nada de dia.
Mas temo,
desconfio,
suspeito:
quando esse dia vier,
nem estarei para saber.
E se acaso ainda restar de mim
vulto, sombra ou gesto,
fito o espelho,
pergunto em silêncio:
Quem és?
O espelho embaça
e, meio sem graça,
não diz.
Crs Ribeiro
#Desafio 078
Cabia na minha palma
aquela mãozinha quente,
um lume inocente
um quase nada de gente.
“É té!”
e o dedo cortava o ar.
Olhos de estrela:
curiosos, urgentes,
querendo tudo
sem saber o nome.
Pulava de alegria
por um punhado de nada:
tampinha, rolha, papel…
ninharias de um mundo
num sem preço de céu.
Sorria de boca nua,
e meu bobo coração
se vestia de amor.
E era tanto,
tão vasto,
tão sem jeito…
Que fiz relicário no peito
e, sem hesitar,
só o ofertei a você.
Crs Ribeiro
Cabia na minha palma
aquela mãozinha quente,
um lume inocente
um quase nada de gente.
“É té!”
e o dedo cortava o ar.
Olhos de estrela:
curiosos, urgentes,
querendo tudo
sem saber o nome.
Pulava de alegria
por um punhado de nada:
tampinha, rolha, papel…
ninharias de um mundo
num sem preço de céu.
Sorria de boca nua,
e meu bobo coração
se vestia de amor.
E era tanto,
tão vasto,
tão sem jeito…
Que fiz relicário no peito
e, sem hesitar,
só o ofertei a você.
Crs Ribeiro
#Desafio 077
Alísios precisos
num eco incerto,
trouxeram teu nome
de novo para perto:
“Ele é feliz!”
Seguiu, mesmo em chagas,
de alma rasgada,
cicatriz esculpida
na pele marcada.
O tempo endurece,
mas o peito denuncia:
há marcas que ficam
gravadas na despedida.
O mal que causei
ainda me arranha,
mas solto o peso:
me dou à façanha.
E me perdoo.
E te perdoo.
Pois fomos naufrágio,
sem porto ou guia,
errantes, perdidos
no mar dessa vida.
E sorrio sincera:
te fizeste grande!
Dos cacos dispersos,
brilhas radiante:
reflexo bonito
de um tempo que foi.
Lembrança desnuda,
um dos amores meus!
Que partiu com o vento,
levando tudo
que já era tormento.
Crs Ribeiro
Alísios precisos
num eco incerto,
trouxeram teu nome
de novo para perto:
“Ele é feliz!”
Seguiu, mesmo em chagas,
de alma rasgada,
cicatriz esculpida
na pele marcada.
O tempo endurece,
mas o peito denuncia:
há marcas que ficam
gravadas na despedida.
O mal que causei
ainda me arranha,
mas solto o peso:
me dou à façanha.
E me perdoo.
E te perdoo.
Pois fomos naufrágio,
sem porto ou guia,
errantes, perdidos
no mar dessa vida.
E sorrio sincera:
te fizeste grande!
Dos cacos dispersos,
brilhas radiante:
reflexo bonito
de um tempo que foi.
Lembrança desnuda,
um dos amores meus!
Que partiu com o vento,
levando tudo
que já era tormento.
Crs Ribeiro
#Desafio 076
O intenso sente
no direito e no avesso,
em cada dobra da alma.
Dói fundo, rói os ossos
arde o travesseiro,
cala a fome.
Explode sem freio:
é muito, é demais
e ainda falta espaço.
Mas quando transborda,
a luz entorpece
e o mundo dança.
A manhã invade a janela
prisma insano de cores,
melodia que ninguém ouve.
Seja flor, poema
ou um bom dia perdido na rua…
tudo é motivo para rir até doer.
Não há meio-termo.
O morno é morte em prestações.
E a vida, se não for para sentir,
vira o quê?
Esquina vazia,
silêncio sem eco.
Crs Ribeiro
O intenso sente
no direito e no avesso,
em cada dobra da alma.
Dói fundo, rói os ossos
arde o travesseiro,
cala a fome.
Explode sem freio:
é muito, é demais
e ainda falta espaço.
Mas quando transborda,
a luz entorpece
e o mundo dança.
A manhã invade a janela
prisma insano de cores,
melodia que ninguém ouve.
Seja flor, poema
ou um bom dia perdido na rua…
tudo é motivo para rir até doer.
Não há meio-termo.
O morno é morte em prestações.
E a vida, se não for para sentir,
vira o quê?
Esquina vazia,
silêncio sem eco.
Crs Ribeiro
#Desafio 075
A- MARge-ar
***Dedicado, com todo carinho, à amiga @MargeU
Amar
não é margem
é mar sem fim
verbo sem borda
vento sem direção
mas amar pode ser Marge:
grito que ecoa
vibra e reverbera
silêncio que corta
sussurra e dilacera
olhos de madrugada
que quebram o tempo
dissolvem o ser
desatam nós invisíveis
o frio da noite:
transcende o que não se vê
é ausência que arrepia
é presença sem toque
ela não é simples:
é poesia desfeita do verso
maré que seduz
onda que leva e nunca traz igual
se amar é rima,
Marge é metáfora:
que alaga e cura
naufraga e salva
se espalha
sem nunca cessar…
o sublime que se sente
como vento na mão
que nunca toca
mas deixa marca
sopro eterno
que sempre há de ficar.
Crs Ribeiro
A- MARge-ar
***Dedicado, com todo carinho, à amiga @MargeU
Amar
não é margem
é mar sem fim
verbo sem borda
vento sem direção
mas amar pode ser Marge:
grito que ecoa
vibra e reverbera
silêncio que corta
sussurra e dilacera
olhos de madrugada
que quebram o tempo
dissolvem o ser
desatam nós invisíveis
o frio da noite:
transcende o que não se vê
é ausência que arrepia
é presença sem toque
ela não é simples:
é poesia desfeita do verso
maré que seduz
onda que leva e nunca traz igual
se amar é rima,
Marge é metáfora:
que alaga e cura
naufraga e salva
se espalha
sem nunca cessar…
o sublime que se sente
como vento na mão
que nunca toca
mas deixa marca
sopro eterno
que sempre há de ficar.
Crs Ribeiro
#Desafio 074
Algo mudou em mim.
A lágrima se foi,
mas a tristeza, silenciosa, ainda mora.
A gargalhada, antes imperiosa,
se recolheu suave.
A alegria persiste,
mas sem alarde ou gritos.
A vida foi o meu lítio,
abrandou meu humor
e me tornou menos eu.
Talvez esse seja o propósito:
proteger-me do desatino que sou.
Crs Ribeiro
Algo mudou em mim.
A lágrima se foi,
mas a tristeza, silenciosa, ainda mora.
A gargalhada, antes imperiosa,
se recolheu suave.
A alegria persiste,
mas sem alarde ou gritos.
A vida foi o meu lítio,
abrandou meu humor
e me tornou menos eu.
Talvez esse seja o propósito:
proteger-me do desatino que sou.
Crs Ribeiro
#Desafio 073
Salivo por teus pelos
tua barba me risca
promessas inconfessas.
Teus sinais, constelações
guiam-me no escuro desejo.
Um olhar me despe
desveste-me inteira:
não há pudor, não há defesa.
Resta a carne
ofertada, entregue
vulnerável como a alma que já é tua.
Mãos que esculpem febre
arfar quente
tesão que embriaga.
A cada toque
desfaz-se um pedaço de mim:
amar é perder-se também.
Quero o gemido
o tremor, o gozo-mar
que naufraga e me dissolve.
Quando cedes
incontido, indomável
sem máscaras ou fugas
o mundo (o meu)
começa e termina ali.
Crs Ribeiro
Salivo por teus pelos
tua barba me risca
promessas inconfessas.
Teus sinais, constelações
guiam-me no escuro desejo.
Um olhar me despe
desveste-me inteira:
não há pudor, não há defesa.
Resta a carne
ofertada, entregue
vulnerável como a alma que já é tua.
Mãos que esculpem febre
arfar quente
tesão que embriaga.
A cada toque
desfaz-se um pedaço de mim:
amar é perder-se também.
Quero o gemido
o tremor, o gozo-mar
que naufraga e me dissolve.
Quando cedes
incontido, indomável
sem máscaras ou fugas
o mundo (o meu)
começa e termina ali.
Crs Ribeiro