#Desafio 021
Chuva na janela,
gota a gota,
melodia de quem não desiste.
No vidro,
no parapeito;
bate, escorre, insiste.
Diz sem dizer:
“Carrego o que pesa,
limpo o que dói;
traduzo o viver
no que há de mais simples”.
Faça o mesmo contigo,
deixe escorrer o pranto.
Permita, das lágrimas,
o estrondo mais forte;
a enxurrada arrastar fragmentos…
Sinta o calor da terra molhada,
o cheiro de renovação no ar.
Só assim,
no vácuo do grito,
brilhando tímido,
mas firme;
o sol volta a nascer.
Crs Ribeiro
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#Desafio 020
270 Dias
270, número inteiro,
narrador silencioso do beijo suspenso.
Em cada estrofe,
um suspiro de vontade.
O azimute, implacável,
aponta o oeste do peito,
onde o sol morre,
e meu sentimento renasce.
E, de tanto querer,
em círculos me perco:
completo três quartos de volta,
eternamente em torno de ti.
Divisível por quinze,
mas quem diz que o amor se reparte?
O teu ocupa-me inteira,
como as palavras que sobram
quando me faltas.
Cada um desses dias
conta o acaso do encontro.
E a saudade?
Ah, a saudade se mede em segundos,
pois o amor,
esse, não conta nada.
Ele se faz infinito
e apenas fica.
Crs Ribeiro
270 Dias
270, número inteiro,
narrador silencioso do beijo suspenso.
Em cada estrofe,
um suspiro de vontade.
O azimute, implacável,
aponta o oeste do peito,
onde o sol morre,
e meu sentimento renasce.
E, de tanto querer,
em círculos me perco:
completo três quartos de volta,
eternamente em torno de ti.
Divisível por quinze,
mas quem diz que o amor se reparte?
O teu ocupa-me inteira,
como as palavras que sobram
quando me faltas.
Cada um desses dias
conta o acaso do encontro.
E a saudade?
Ah, a saudade se mede em segundos,
pois o amor,
esse, não conta nada.
Ele se faz infinito
e apenas fica.
Crs Ribeiro
#Desafio 019
Amor-Sol
Talvez fosse mais
do que via,
qualidades
raras,
escondidas até dela…
Cresceu pequena,
virou medo.
Esqueceu da grandeza
que cabia em si.
Temia a soberba,
não sabia
que confiança é,
também, proteção.
Se fazia menor,
mesmo sabendo
ser grande.
Pedia amor-dó,
recebia amor-nada.
Tornou-se
amor-só,
um querer que se esconde,
relegado ao silêncio,
ao não-amar.
De tanto curvar-se,
foi chão.
Sentiu o apoio
dos braços,
se ergueu.
Não pediu,
não esperou,
fez-se.
Recolheu migalhas,
deu banquete
de si mesma,
tornou-se amor-Sol.
E então,
não brilhou mais.
Explodiu.
Crs Ribeiro
Amor-Sol
Talvez fosse mais
do que via,
qualidades
raras,
escondidas até dela…
Cresceu pequena,
virou medo.
Esqueceu da grandeza
que cabia em si.
Temia a soberba,
não sabia
que confiança é,
também, proteção.
Se fazia menor,
mesmo sabendo
ser grande.
Pedia amor-dó,
recebia amor-nada.
Tornou-se
amor-só,
um querer que se esconde,
relegado ao silêncio,
ao não-amar.
De tanto curvar-se,
foi chão.
Sentiu o apoio
dos braços,
se ergueu.
Não pediu,
não esperou,
fez-se.
Recolheu migalhas,
deu banquete
de si mesma,
tornou-se amor-Sol.
E então,
não brilhou mais.
Explodiu.
Crs Ribeiro
#Desafio 018
A vida em Ana
nunca foi rima.
Três casamentos,
todas as linhas
quebradas.
Se a pele ficou inteira,
o coração virou caco,
juntado no silêncio
de quem nunca para.
Quatro filhos cresceram,
e ela com eles.
Medo?
É coisa que passa.
Ana, não.
Sorria sempre.
Uma reza rápida,
um bolinho no prato,
flores na mesa,
porque o mundo precisa
de cor onde dói.
Ao contrário da vida,
ela era força.
Não força bruta,
mas a força que cala,
que carrega.
No delicado dos gestos,
Ana era poema.
Crs Ribeiro
*** Para a doce Ana, que me ensina todos os dias o valor dos gestos simples e da força silenciosa.
A vida em Ana
nunca foi rima.
Três casamentos,
todas as linhas
quebradas.
Se a pele ficou inteira,
o coração virou caco,
juntado no silêncio
de quem nunca para.
Quatro filhos cresceram,
e ela com eles.
Medo?
É coisa que passa.
Ana, não.
Sorria sempre.
Uma reza rápida,
um bolinho no prato,
flores na mesa,
porque o mundo precisa
de cor onde dói.
Ao contrário da vida,
ela era força.
Não força bruta,
mas a força que cala,
que carrega.
No delicado dos gestos,
Ana era poema.
Crs Ribeiro
*** Para a doce Ana, que me ensina todos os dias o valor dos gestos simples e da força silenciosa.
#Desafio 017
#
Na parede
te encosto,
apalpo
teu peito,
teu dorso.
Lambo o pescoço,
a orelha.
Em cada curva,
me perco,
me acho.
Te esfrego,
me viro
de costas.
Rebolo,
teço labirintos
de pele.
Minhas mãos,
teus desejos;
tuas mãos,
meus segredos.
Eu gemo,
eu arquejo
e desço.
Tão duro:
beijo,
chupo,
devoro
o instante,
cruel e sagrado.
Te puxo
pra cama,
o olhar
(tão sacana!),
sem dó
nem poema.
Me ofereço:
banquete.
Coma,
até que a volúpia
(fera solta),
se espalhe,
se perca,
desafie o limite
e regurgite
o que não tem
nem jeito
de aquietar.
Crs Ribeiro
#
Na parede
te encosto,
apalpo
teu peito,
teu dorso.
Lambo o pescoço,
a orelha.
Em cada curva,
me perco,
me acho.
Te esfrego,
me viro
de costas.
Rebolo,
teço labirintos
de pele.
Minhas mãos,
teus desejos;
tuas mãos,
meus segredos.
Eu gemo,
eu arquejo
e desço.
Tão duro:
beijo,
chupo,
devoro
o instante,
cruel e sagrado.
Te puxo
pra cama,
o olhar
(tão sacana!),
sem dó
nem poema.
Me ofereço:
banquete.
Coma,
até que a volúpia
(fera solta),
se espalhe,
se perca,
desafie o limite
e regurgite
o que não tem
nem jeito
de aquietar.
Crs Ribeiro
#Desafio 016
O relógio avisa,
salto da cama, apressada.
Escovo os dentes,
me visto ofegante:
calça ao contrário?
Tô quase elegante!
Café na mesa,
filha na escola,
bati o ponto
(e, por pouco, a caixola).
O dia não vai devagar,
duas horas a todo toque:
render é o lema!
Almoço? Não, obrigada.
Troquei por consulta
e um sermão do doutor:
“Assim você surta!”
Um pão, um café,
a fome sem respeito.
A dieta? Já era;
virou um conceito.
E o relógio implacável:
“Corre!
Não há outro jeito”.
Segundo turno aberto:
trabalho, academia,
salão, (se der sorte);
pegar a filha na escola
e ainda tem o jantar!
Chave de casa sumiu…
seria azar?
O banho ligeiro,
enfim, um prazer.
A cama é minha paz,
antes de recomeçar.
Constato agora, serena,
quase no adormecer:
são tantos momentos,
que delícia é…
Viver?
O relógio avisa,
salto da cama, apressada.
Escovo os dentes,
me visto ofegante:
calça ao contrário?
Tô quase elegante!
Café na mesa,
filha na escola,
bati o ponto
(e, por pouco, a caixola).
O dia não vai devagar,
duas horas a todo toque:
render é o lema!
Almoço? Não, obrigada.
Troquei por consulta
e um sermão do doutor:
“Assim você surta!”
Um pão, um café,
a fome sem respeito.
A dieta? Já era;
virou um conceito.
E o relógio implacável:
“Corre!
Não há outro jeito”.
Segundo turno aberto:
trabalho, academia,
salão, (se der sorte);
pegar a filha na escola
e ainda tem o jantar!
Chave de casa sumiu…
seria azar?
O banho ligeiro,
enfim, um prazer.
A cama é minha paz,
antes de recomeçar.
Constato agora, serena,
quase no adormecer:
são tantos momentos,
que delícia é…
Viver?
#Desafio 015
Rimas soltas pelo chão da sala:
O peso suave do encantamento!
Sonha e leva-me de mãos dadas.
Abre teu mundo onde a imortalidade
reina, sem hesitar…
Porque amar um poeta é intuir
que a escrita nasce do silêncio,
do que não se diz.
O que não cabe em palavras, ecoa no peito,
transcendendo a linguagem em divina harmonia.
Ser musa, inspirar e elevar
um grandioso ser
no delicado entrelaçar
de amor e arte;
onde o Entremeio se firma e reluz.
É tornar-se, com louvor:
verso, prosa e lar.
Doce lar!
Crs Ribeiro
Rimas soltas pelo chão da sala:
O peso suave do encantamento!
Sonha e leva-me de mãos dadas.
Abre teu mundo onde a imortalidade
reina, sem hesitar…
Porque amar um poeta é intuir
que a escrita nasce do silêncio,
do que não se diz.
O que não cabe em palavras, ecoa no peito,
transcendendo a linguagem em divina harmonia.
Ser musa, inspirar e elevar
um grandioso ser
no delicado entrelaçar
de amor e arte;
onde o Entremeio se firma e reluz.
É tornar-se, com louvor:
verso, prosa e lar.
Doce lar!
Crs Ribeiro
#Desafio 014
A lua mora em mim
meta-física-mente,
senhora dos meus humores.
Nova:
ninguém sabe —
medito ou mudo de pele?
Adormeço,
só para me reinventar.
Crescente?
O amor tropeça,
acende devagar…
Possibilidades afoitas
emergem a cada passo.
Logo me faço Cheia,
lanço o grito:
“Eis-me aqui!”
Sou explosão de luz,
paixão que não cabe em mim.
Minguo.
Silenciosa me dissipo,
me escondo.
O rastro néon,
blasé se faz.
Fina melancolia,
um quase-nada que avisa:
não cutuque.
Se eu quiser,
volto a brilhar.
Só para provocar.
Crs Ribeiro
A lua mora em mim
meta-física-mente,
senhora dos meus humores.
Nova:
ninguém sabe —
medito ou mudo de pele?
Adormeço,
só para me reinventar.
Crescente?
O amor tropeça,
acende devagar…
Possibilidades afoitas
emergem a cada passo.
Logo me faço Cheia,
lanço o grito:
“Eis-me aqui!”
Sou explosão de luz,
paixão que não cabe em mim.
Minguo.
Silenciosa me dissipo,
me escondo.
O rastro néon,
blasé se faz.
Fina melancolia,
um quase-nada que avisa:
não cutuque.
Se eu quiser,
volto a brilhar.
Só para provocar.
Crs Ribeiro
#Desafio 013
Sempre,
iludiram-se;
“por todos os anos”:
amor, apoio,
riso compartilhado.
Não calcularam a vida,
e seus desnivelados desvios.
Nem as dores,
nem o espaço,
a repetição das horas
ou as palavras mastigadas
em silêncio…
O beijo urgente virou toque gélido,
A mão atrevida, afago casto.
Eram tão próximos,
tão íntimos,
que no afeto,
confundiram-se:
Amigos na tristeza,
cúmplices na solidão.
Matavam-se a cada abraço.
Queriam o mundo,
renderam-se ao cansaço.
Morriam do amor
todos os dias…
E do desgosto!
Crs Ribeiro
Sempre,
iludiram-se;
“por todos os anos”:
amor, apoio,
riso compartilhado.
Não calcularam a vida,
e seus desnivelados desvios.
Nem as dores,
nem o espaço,
a repetição das horas
ou as palavras mastigadas
em silêncio…
O beijo urgente virou toque gélido,
A mão atrevida, afago casto.
Eram tão próximos,
tão íntimos,
que no afeto,
confundiram-se:
Amigos na tristeza,
cúmplices na solidão.
Matavam-se a cada abraço.
Queriam o mundo,
renderam-se ao cansaço.
Morriam do amor
todos os dias…
E do desgosto!
Crs Ribeiro
#Desafio 012
Hoje vou compartilhar algo muito especial: um dos primeiros poemas que escrevi! É simples, cheio de coração, e nasceu sem qualquer pretensão estética, mas de um sentimento puro. Ele carrega aquela sensação gostosa de início, de timidez e coragem misturadas — como um primeiro passo ou um sorriso dado sem saber se será retribuído. Espero que gostem!
Se de joelhos me ponho,
não intenciono rezar.
Também não cabe malícia,
apenas vou questionar:
Gostaria de encontrar, no Entremeio,
sua Musa-moleca,
por todos os dias da vida
desse admirado Poeta?
Na sua cachoeira, ou na minha?
Crs Ribeiro
Hoje vou compartilhar algo muito especial: um dos primeiros poemas que escrevi! É simples, cheio de coração, e nasceu sem qualquer pretensão estética, mas de um sentimento puro. Ele carrega aquela sensação gostosa de início, de timidez e coragem misturadas — como um primeiro passo ou um sorriso dado sem saber se será retribuído. Espero que gostem!
Se de joelhos me ponho,
não intenciono rezar.
Também não cabe malícia,
apenas vou questionar:
Gostaria de encontrar, no Entremeio,
sua Musa-moleca,
por todos os dias da vida
desse admirado Poeta?
Na sua cachoeira, ou na minha?
Crs Ribeiro