#Desafio 032
O Banho
Merece poema?
Busto, estátua?
Até placa dourada na praça!
Na água que cai
a vida escorre;
se gasta, se passa.
Gota a gota
o dia desaba.
Desata nós
ralo abaixo…
A espuma embala:
sou mar
sem saber.
A água toca. E pronto!
Sem discursos,
sem promessas.
Só o gesto:
lava, leva, deixa.
Renovação?
Rotina?
Epifania sem plateia?
O mundo some no vapor,
a alma à meia-luz.
Abraço líquido, sem pressa,
instante banal.
O banho me apaga um pouco.
E nisso… me faz imortal!
Crs Ribeiro
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#Desafio 31
#
Não tenho medo
de guiar o prazer.
sei onde arde,
onde morro,
onde você toca
e me acende.
Sem meias palavras,
não digo “talvez”;
só agora.
Se pode ser bom,
por que não?
Mas calma,
não é só sobre mim.
Entre os meus prazeres,
o seu:
sendo espelho,
sendo fogo,
sendo nós.
Quero a fúria de nos ver
em pleno incêndio,
gemendo verdades
que o desejo inventa.
Hoje te mostro o caminho.
Amanhã,
sou tua aprendiz.
No meio disso,
a língua, o murmúrio, o grito,
e tudo o mais
que nossas bocas consagrem.
Crs Ribeiro
#
Não tenho medo
de guiar o prazer.
sei onde arde,
onde morro,
onde você toca
e me acende.
Sem meias palavras,
não digo “talvez”;
só agora.
Se pode ser bom,
por que não?
Mas calma,
não é só sobre mim.
Entre os meus prazeres,
o seu:
sendo espelho,
sendo fogo,
sendo nós.
Quero a fúria de nos ver
em pleno incêndio,
gemendo verdades
que o desejo inventa.
Hoje te mostro o caminho.
Amanhã,
sou tua aprendiz.
No meio disso,
a língua, o murmúrio, o grito,
e tudo o mais
que nossas bocas consagrem.
Crs Ribeiro
#Desafio 030
E foi ontem…
Bela, era ela:
chuquinha
batom vermelho
joelho ralado
saia ao vento
sorriso solto.
A mais doce menina
mão na minha
pula num pé
rola com o Stopa
chama de pulguento
mas o aperta no peito.
Corre, salta, escorrega
chega em casa
terra na pele .
Banho longo
sabonete espuma
o dia nas pernas.
Jantinha quente
pijama macio
chupeta
dedo no cabelo.
Me abraça
vira, apaga.
Quem me dera
quem soubera
guardar o tempo
num bolso qualquer.
Crs Ribeiro
E foi ontem…
Bela, era ela:
chuquinha
batom vermelho
joelho ralado
saia ao vento
sorriso solto.
A mais doce menina
mão na minha
pula num pé
rola com o Stopa
chama de pulguento
mas o aperta no peito.
Corre, salta, escorrega
chega em casa
terra na pele .
Banho longo
sabonete espuma
o dia nas pernas.
Jantinha quente
pijama macio
chupeta
dedo no cabelo.
Me abraça
vira, apaga.
Quem me dera
quem soubera
guardar o tempo
num bolso qualquer.
Crs Ribeiro
#Desafio 029
Tolice amar-te
sem dar-te asas inteiras,
deixar-te solto no vento
para tudo que desejares.
Insensatez querer-te cativo,
sufocar teus anseios
e esperar-te, pássaro,
de volta ao ninho.
Teu corpo presente,
tua mente em outras marés.
De que vale tal gaiola,
se o amor é céu azul e amplidão?
Quero-te feliz,
pleno;
quero-te sendo.
E, na parte que me cabe,
quero-te escolhendo ser nós.
Crs Ribeiro
Tolice amar-te
sem dar-te asas inteiras,
deixar-te solto no vento
para tudo que desejares.
Insensatez querer-te cativo,
sufocar teus anseios
e esperar-te, pássaro,
de volta ao ninho.
Teu corpo presente,
tua mente em outras marés.
De que vale tal gaiola,
se o amor é céu azul e amplidão?
Quero-te feliz,
pleno;
quero-te sendo.
E, na parte que me cabe,
quero-te escolhendo ser nós.
Crs Ribeiro
#Desafio 028
Se julgava perfeita.
Pior. Fazia da falha alheia
sua missa de domingo.
Duzentos gramas a mais
e seu olhar já fuzilava:
“Engordou, hein?”
Ela? Um clichê de vitrine.
Loira, bunda empinada,
gordura? Nenhuma.
Noção? Menos ainda:
“Viu como está desleixada?
Começaram a namorar
e parou de se cuidar.
Logo leva um pé…”
Rainha das quadras,
musa da academia,
com sua corte fiel:
amigas plastificadas,
série limitada, anos 80.
Não tão raras.
Todas malhadas.
Todas bronzeadas.
Todas traídas.
Porque o que ninguém diz
(mas todo mundo sabe)
é que o corpo nunca basta.
Parece suficiente…
até o dia em que não é.
Mas como é doce esfaquear
o que falta no outro.
Difícil mesmo é encarar
o espelho da alma:
onde o vazio não pesa,
mas dói.
Afinal, essência não se esculpe.
Não há Pilates para a alma.
E isso, espelho algum
consegue perdoar.
Crs Ribeiro
Se julgava perfeita.
Pior. Fazia da falha alheia
sua missa de domingo.
Duzentos gramas a mais
e seu olhar já fuzilava:
“Engordou, hein?”
Ela? Um clichê de vitrine.
Loira, bunda empinada,
gordura? Nenhuma.
Noção? Menos ainda:
“Viu como está desleixada?
Começaram a namorar
e parou de se cuidar.
Logo leva um pé…”
Rainha das quadras,
musa da academia,
com sua corte fiel:
amigas plastificadas,
série limitada, anos 80.
Não tão raras.
Todas malhadas.
Todas bronzeadas.
Todas traídas.
Porque o que ninguém diz
(mas todo mundo sabe)
é que o corpo nunca basta.
Parece suficiente…
até o dia em que não é.
Mas como é doce esfaquear
o que falta no outro.
Difícil mesmo é encarar
o espelho da alma:
onde o vazio não pesa,
mas dói.
Afinal, essência não se esculpe.
Não há Pilates para a alma.
E isso, espelho algum
consegue perdoar.
Crs Ribeiro
#Desafio 27
O Céu, em véus de nuvem,
ao amante replicou:
“Ah, Mar,
meu reflexo em espelho encantado,
em teus braços liquefeitos me conténs.
Meu destino é disperso,
sou vasto, mas nunca inteiro…
Teu sopro canta os ais que não me vêm
ecos da amplidão que te habitas.
És segredo que meu azul anseia:
profundo tal as dores que calamos.
Quisera ser gota, espuma, correnteza,
fundir-me ao teu ser,
perder-me no compasso de tuas marés.
E se me faço chuva,
é só para teu rosto tocar e ser em ti.
Minha vastidão é ilusão fugaz,
tua profundidade é que me sustenta.
Somos um, somos dois, somos mais:
ciclo eterno, sem inicio ou fim.
Em teu limite, descubro o meu lugar.
E mesmo grandes, infinitos,
é o amor que nos basta
no nascer e apagar de todo dia”
O Céu, em véus de nuvem,
ao amante replicou:
“Ah, Mar,
meu reflexo em espelho encantado,
em teus braços liquefeitos me conténs.
Meu destino é disperso,
sou vasto, mas nunca inteiro…
Teu sopro canta os ais que não me vêm
ecos da amplidão que te habitas.
És segredo que meu azul anseia:
profundo tal as dores que calamos.
Quisera ser gota, espuma, correnteza,
fundir-me ao teu ser,
perder-me no compasso de tuas marés.
E se me faço chuva,
é só para teu rosto tocar e ser em ti.
Minha vastidão é ilusão fugaz,
tua profundidade é que me sustenta.
Somos um, somos dois, somos mais:
ciclo eterno, sem inicio ou fim.
Em teu limite, descubro o meu lugar.
E mesmo grandes, infinitos,
é o amor que nos basta
no nascer e apagar de todo dia”
#Desafio 026
“Sussurros e Espelhos” é um conto sobre o tempo, o amor e a aceitação. Não é sobre apenas mais um dia, mas “o dia”, em que o protagonista se redescobre nos reflexos de sua vida. Entre cafés silenciosos, mensagens que atravessam distâncias e memórias que aquecem o peito, ele encontra a paz de ser imperfeito e a coragem de se reconhecer inteiro.
Dedicado a Alberto, uma pessoa mais que especial, que hoje celebra sua vida. Que este texto, como um abraço em palavras, inspire reflexões suaves e lhe traga o calor de quem o admira profundamente.
Feliz aniversário!
@Albertobusquets
“Sussurros e Espelhos” é um conto sobre o tempo, o amor e a aceitação. Não é sobre apenas mais um dia, mas “o dia”, em que o protagonista se redescobre nos reflexos de sua vida. Entre cafés silenciosos, mensagens que atravessam distâncias e memórias que aquecem o peito, ele encontra a paz de ser imperfeito e a coragem de se reconhecer inteiro.
Dedicado a Alberto, uma pessoa mais que especial, que hoje celebra sua vida. Que este texto, como um abraço em palavras, inspire reflexões suaves e lhe traga o calor de quem o admira profundamente.
Feliz aniversário!
@Albertobusquets
#Desafio 025
Confiamos em nós:
adultos, centrados, racionais.
Mas no fundo, sabemos:
a razão também tropeça.
Permitimo-nos:
flertar com o instante,
desejar o improvável;
descobrir o fogo que queima e escapa,
o abraço que não prende.
E então, nos abandonamos:
ao instinto que ri da lógica,
à paixão que descompassa o peito;
à emoção que é rasgo e cura.
Sonhamo-nos:
entrelaçados no acaso que escorre,
amados de maneira imperfeita:
plenamente saciados…
Ou talvez não.
Crs Ribeiro
Confiamos em nós:
adultos, centrados, racionais.
Mas no fundo, sabemos:
a razão também tropeça.
Permitimo-nos:
flertar com o instante,
desejar o improvável;
descobrir o fogo que queima e escapa,
o abraço que não prende.
E então, nos abandonamos:
ao instinto que ri da lógica,
à paixão que descompassa o peito;
à emoção que é rasgo e cura.
Sonhamo-nos:
entrelaçados no acaso que escorre,
amados de maneira imperfeita:
plenamente saciados…
Ou talvez não.
Crs Ribeiro
#Desafio 24
#
Em ti, me dissolvo.
Meu corpo vago te exige:
não há dúvidas em meu ser.
Faço do toque
o meu sacramento,
em que a carne se desfaz
e a alma me abandona
quando tua boca
encontra meu caos.
Não me beijas,
me consomes
com a fome primitiva de teus dentes.
As marcas que aninho em tua pele,
são brasões do querer
que desmente o tempo
e proclama, sem temor,
a única verdade: nós.
Arrasto-te à cama
não por alívio,
mas pela doce centelha,
fagulha do desespero
que devora o que sou.
Entrego-me a ti
não para amar apenas,
mas para subverter
toda ordem do mundo,
derrotar minhas crenças,
romper a moralidade
entre o que fui e o que me tornarei.
Em ti, me aniquilo.
Teus dedos são aço,
meus seios, oferendas.
Renuncio a mim mesma
em gemidos que se esvaem:
o prazer é morte sublime
que nos faz, por um instante,
existir.
Toda tua,
me deixo levar
ao frenesi de tua posse,
onde tudo se perde
e aprendo que o desejo,
de tanto pulsar,
esqueceu de saber
o que é apenas ser.
Crs Ribeiro
#
Em ti, me dissolvo.
Meu corpo vago te exige:
não há dúvidas em meu ser.
Faço do toque
o meu sacramento,
em que a carne se desfaz
e a alma me abandona
quando tua boca
encontra meu caos.
Não me beijas,
me consomes
com a fome primitiva de teus dentes.
As marcas que aninho em tua pele,
são brasões do querer
que desmente o tempo
e proclama, sem temor,
a única verdade: nós.
Arrasto-te à cama
não por alívio,
mas pela doce centelha,
fagulha do desespero
que devora o que sou.
Entrego-me a ti
não para amar apenas,
mas para subverter
toda ordem do mundo,
derrotar minhas crenças,
romper a moralidade
entre o que fui e o que me tornarei.
Em ti, me aniquilo.
Teus dedos são aço,
meus seios, oferendas.
Renuncio a mim mesma
em gemidos que se esvaem:
o prazer é morte sublime
que nos faz, por um instante,
existir.
Toda tua,
me deixo levar
ao frenesi de tua posse,
onde tudo se perde
e aprendo que o desejo,
de tanto pulsar,
esqueceu de saber
o que é apenas ser.
Crs Ribeiro
#Desafio23
O recomeço pede espaço,
tudo que nasce precisa de chão.
Um desejo já se plantou:
confie no broto que insiste em nascer.
É ele que sabe o caminho.
Não se apresse.
Integre os pedaços dispersos,
junte os cacos do tempo.
Com equilíbrio e prudência,
os passos tornam-se raiz.
O caminhar lento
é garantia de chegar inteiro.
Há um instante em que o velho se desfaz,
o peso cai,
e o que era ferrugem
vira folha seca no vento.
O novo chega leve:
pássaro despido
ganhando plumas de luz.
Mais simples, mais vasto, mais céu.
Porque evoluir é isso:
despir-se das terras que pesam
e refazer-se em asas.
Crs Ribeiro
O recomeço pede espaço,
tudo que nasce precisa de chão.
Um desejo já se plantou:
confie no broto que insiste em nascer.
É ele que sabe o caminho.
Não se apresse.
Integre os pedaços dispersos,
junte os cacos do tempo.
Com equilíbrio e prudência,
os passos tornam-se raiz.
O caminhar lento
é garantia de chegar inteiro.
Há um instante em que o velho se desfaz,
o peso cai,
e o que era ferrugem
vira folha seca no vento.
O novo chega leve:
pássaro despido
ganhando plumas de luz.
Mais simples, mais vasto, mais céu.
Porque evoluir é isso:
despir-se das terras que pesam
e refazer-se em asas.
Crs Ribeiro