#desafio 284
—Arcana—
Autoras eternas
morrem cedo demais,
são infinitas
em suas letras.
Nisso,
no ofício da escrita,
sei que sou pequena,
e isso talvez me ajude
a ir mais longe...
na idade.
Ninguém se busca
nas minhas letras,
ninguém cita minhas palavras
nem em minha presença.
Ninguém leu o que escrevi,
nem você,
que me inspira
todos os dias.
Ninguém sabe
da minha tristeza.
Ninguém pensa:
quem terá sido seu amor?
Como ela era
quando menina?
Ninguém sequer imagina
quem realmente eu seja.
Sou uma ilustre desconhecida.
Viverei por muito tempo ainda,
não tenho mesmo
um público leitor,
para ao menos
ser esquecida.
Escrevo
e leio eu mesma
o que escrevo,
com medo
que eu me esqueça.
Principalmente
quando o coração aperta,
na esperança
de sentir menos dor.
Quem sabe
encontrar em meus escritos
uma resposta
que esclareça,
ou reviver na lembrança
o ardor
que me aqueça.
Sem aceitar, enfim,
a irrelevância
do que sei ser
pra você
ou pra quem não me lê.
E assim,
quem sabe,
serei longínqua em anos,
passarei dos 100
escrevendo poemas arcanos.
MarU
Marjane Satrapi e Clarice Lispector, mesma idade, na morte 56, em comum a tristeza de ambas. Clarice teve câncer. Marjane, ainda não é clara a causa, só o motivo, que podemos linkar comum. Fiquei pensando, sobre outras mulheres revolucionárias na escrita, que partiram cedo demais, N motivos, mas a melancolia fazia parte do que as identifica. Escrevi um texto, reflexo. Não exatamente sobre elas, mas sobre o ofício de escrever. As ilustres, serão eternas, ainda que venham a morrer cedo demais RIP鹿
@MarU
Mar.U
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#desafio 283
—Quatrocentas mil palavras—
Quatrocentas mil palavras,
alinhadas como soldados
diante de uma guerra
já perdida.
Na linha de frente,
nada é mais trucidante
que o silêncio que grita
no reflexo diante do espelho.
Esse silêncio
não é descrito em palavras,
mas em sentimentos impotentes
diante das circunstâncias.
A vida cala
e, calando, fala alto
para que a alma incruste
no subconsciente a resposta
e aceite, conformada…
que não há o que fazer.
MarU
—Quatrocentas mil palavras—
Quatrocentas mil palavras,
alinhadas como soldados
diante de uma guerra
já perdida.
Na linha de frente,
nada é mais trucidante
que o silêncio que grita
no reflexo diante do espelho.
Esse silêncio
não é descrito em palavras,
mas em sentimentos impotentes
diante das circunstâncias.
A vida cala
e, calando, fala alto
para que a alma incruste
no subconsciente a resposta
e aceite, conformada…
que não há o que fazer.
MarU
#desafio 282
—Sóbria—
Hoje não teremos vinho.
Irei me embriagar
das palavras malditas,
sorver cada letra
em meia taça de decote,
até que te derrame do meu peito.
Hoje meu leito é frio,
como a tua capacidade
de esquecer o meu cio,
de não ceder
a esse desejo vil
e permanecer intacto.
Hoje,
romperemos nosso pacto,
como quem goza antes do outro
em descompasso
e não se importa
com o chamado em pulso,
que clama ao ápice
em conjunto.
Virando-se para o lado.
Hoje,
prometi te tirar
da minha cabeça.
Mentirei para mim mesma,
como fiz ontem,
cruzando forte
as minhas pernas,
fluindo e escorrendo
entre as frestas
o que não controlo.
Assumo.
Hoje,
queria que fosse ontem
e com a garrafa de vinho aberta,
te beber entre cobertas,
embriagada de amor,
embalados por músicas bregas,
cavalgaríamos toda a noite,
entrelaçados sem pudor.
Quem dera ontem
não tivesse acabado
e dos sonhos hoje
eu não tivesse despertado.
Quem dera estivesse ainda
embriagada.
Mas não vou beber hoje
sequer uma taça,
amortecendo o desejo
no fundo de uma garrafa,
tingindo meus lábios de rubi,
exalando o hálito perfumado de uva,
fermentando na saliva
a quentura
que te convida a viver.
Esta é outra noite tediosa.
Estou sóbria e lúcida,
sem você.
MarU
—Sóbria—
Hoje não teremos vinho.
Irei me embriagar
das palavras malditas,
sorver cada letra
em meia taça de decote,
até que te derrame do meu peito.
Hoje meu leito é frio,
como a tua capacidade
de esquecer o meu cio,
de não ceder
a esse desejo vil
e permanecer intacto.
Hoje,
romperemos nosso pacto,
como quem goza antes do outro
em descompasso
e não se importa
com o chamado em pulso,
que clama ao ápice
em conjunto.
Virando-se para o lado.
Hoje,
prometi te tirar
da minha cabeça.
Mentirei para mim mesma,
como fiz ontem,
cruzando forte
as minhas pernas,
fluindo e escorrendo
entre as frestas
o que não controlo.
Assumo.
Hoje,
queria que fosse ontem
e com a garrafa de vinho aberta,
te beber entre cobertas,
embriagada de amor,
embalados por músicas bregas,
cavalgaríamos toda a noite,
entrelaçados sem pudor.
Quem dera ontem
não tivesse acabado
e dos sonhos hoje
eu não tivesse despertado.
Quem dera estivesse ainda
embriagada.
Mas não vou beber hoje
sequer uma taça,
amortecendo o desejo
no fundo de uma garrafa,
tingindo meus lábios de rubi,
exalando o hálito perfumado de uva,
fermentando na saliva
a quentura
que te convida a viver.
Esta é outra noite tediosa.
Estou sóbria e lúcida,
sem você.
MarU
#desafio 281
—Questão—
Mar profundo
no oceano dos seus olhos,
mais uma vez mergulho,
me molho…
sozinha.
Te busco
e não encontro.
Como poderia
a tempestade me ver?
Na imensidão
deste mundo,
sou mais um ser vagabundo
com coragem de viver.
Por mais que me molhe,
a água fria
em minha pele quente
escorre.
Dissolvo, crente,
que parte de mim
mistura-se à água,
mas não serei tempestade
nem assim,
nem serei chuva,
molhada.
Trovões são música,
conversa metafísica,
mensagens escondidas
em raios
e nuvens escuras.
Não são raios de sol,
mas a luz da lua
me reflete
um pouco de brilho.
Que, translúcida,
interpreto
sem entender…
e cismo serem
seu toque de carinho
comigo.
Aqueço
um pouquinho…
Recebendo as migalhas
de um divino ser,
ou não ser.
Eis aí
minha questão
com você.
MarU
—Questão—
Mar profundo
no oceano dos seus olhos,
mais uma vez mergulho,
me molho…
sozinha.
Te busco
e não encontro.
Como poderia
a tempestade me ver?
Na imensidão
deste mundo,
sou mais um ser vagabundo
com coragem de viver.
Por mais que me molhe,
a água fria
em minha pele quente
escorre.
Dissolvo, crente,
que parte de mim
mistura-se à água,
mas não serei tempestade
nem assim,
nem serei chuva,
molhada.
Trovões são música,
conversa metafísica,
mensagens escondidas
em raios
e nuvens escuras.
Não são raios de sol,
mas a luz da lua
me reflete
um pouco de brilho.
Que, translúcida,
interpreto
sem entender…
e cismo serem
seu toque de carinho
comigo.
Aqueço
um pouquinho…
Recebendo as migalhas
de um divino ser,
ou não ser.
Eis aí
minha questão
com você.
MarU
#desafio 280
—Fim de verão—
Mais uma vez
me molhei
em suas tempestades.
Agora o vento sopra
e sinto frio
e saudades.
Ouço o assovio
dos ventos,
e o frio
me toca a pele
e o peito.
Arrepio por fora
e sinto lentos
meus batimentos.
Já é tempo
de me trocar
e ir embora.
O medo
do tempo feio
não mais me apavora,
estou cansada
de tanta demora.
Primavera em mim
virou história,
outono em fim
deixou memórias.
Faz parte do fim
o inverno
de agora.
Faz parte de mim
o inferno de Caim
que me controla.
Ainda amo tempestades,
noites escuras,
a lua,
as sombras,
as músicas
e as mãos
que me lembram
as suas.
Ainda amarei
por muito tempo
o que restou
de você em mim.
Ainda amarei,
mas não poderei
continuar assim,
sem respostas.
MarU
—Fim de verão—
Mais uma vez
me molhei
em suas tempestades.
Agora o vento sopra
e sinto frio
e saudades.
Ouço o assovio
dos ventos,
e o frio
me toca a pele
e o peito.
Arrepio por fora
e sinto lentos
meus batimentos.
Já é tempo
de me trocar
e ir embora.
O medo
do tempo feio
não mais me apavora,
estou cansada
de tanta demora.
Primavera em mim
virou história,
outono em fim
deixou memórias.
Faz parte do fim
o inverno
de agora.
Faz parte de mim
o inferno de Caim
que me controla.
Ainda amo tempestades,
noites escuras,
a lua,
as sombras,
as músicas
e as mãos
que me lembram
as suas.
Ainda amarei
por muito tempo
o que restou
de você em mim.
Ainda amarei,
mas não poderei
continuar assim,
sem respostas.
MarU
Vem conferir na íntegra a LIVE no @literunico os livros da autora Cilene Resende estão na plataforma Literúnico e mais… Informações no seu perfil @seria.uma.sereia
Lançamento de Cilene Resende, O Mar é Uma Pista de Dança.
Entrevistas da semana!
Vai perder ?!
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Vem com a gente !
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Estarei na Bienal do Livro 2026 com a editora @literunico melhor plataforma brasileira para autores nacionais.
Distrito Anhembi — São Paulo
04 a 13 de setembro de 2026
⏰ Segunda a sexta: 12h às 22h
⏰ Sábados e domingos: 10h às 22h
Se você caminha comigo através das palavras, vai ser um encontro especial poder te ver fora das páginas.
Te espero por lá! ❤️✍️
Distrito Anhembi — São Paulo
04 a 13 de setembro de 2026
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Te espero por lá! ❤️✍️
Chegara como quem acende o dia
sem pedir ao céu que se organize,
e de repente tudo se modificaria,
mais rápido, mais vivo, mais potente
Há nela um passo que não hesita,
um gesto que escolhe antes do medo,
como se o mundo fosse estrada guia
e ela, sempre pronta a atravessar
agora uma distância desenha novos mapas,
leva o riso para outros cantos,
mas não desfaz o que não nos escapa
Atrapalha mas apenas espalha
porque amizade assim
não aprende a ir embora,
aprende outros jeitos de ficar
e sabemos, com a tranquilidade de quem sente,
que quando o tempo dobrar as esquinas
e os caminhos voltarem a se tocar,
não haverá fim ou recomeço
apenas continuação do amor
Que nela, é abundante.
Serena, declama e acende chamas
No olhar dessa aventureira
Mora o maior amor do mundo
Mesmo que a distância esteja
Nos afastando, no momento
Silente, ela fez morada aqui dentro
Do coração desses viventes
E por mais que a distância esteja
Se interpondo ao nosso abraço
Nossa alma gêmea
É sempre ela, que dá o laço.
Eder B. Jr. & Eliz Leão
sem pedir ao céu que se organize,
e de repente tudo se modificaria,
mais rápido, mais vivo, mais potente
Há nela um passo que não hesita,
um gesto que escolhe antes do medo,
como se o mundo fosse estrada guia
e ela, sempre pronta a atravessar
agora uma distância desenha novos mapas,
leva o riso para outros cantos,
mas não desfaz o que não nos escapa
Atrapalha mas apenas espalha
porque amizade assim
não aprende a ir embora,
aprende outros jeitos de ficar
e sabemos, com a tranquilidade de quem sente,
que quando o tempo dobrar as esquinas
e os caminhos voltarem a se tocar,
não haverá fim ou recomeço
apenas continuação do amor
Que nela, é abundante.
Serena, declama e acende chamas
No olhar dessa aventureira
Mora o maior amor do mundo
Mesmo que a distância esteja
Nos afastando, no momento
Silente, ela fez morada aqui dentro
Do coração desses viventes
E por mais que a distância esteja
Se interpondo ao nosso abraço
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É sempre ela, que dá o laço.
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