@eduliguori
há 9 meses
Público
Um cálice de vinho
anilina
o ano (não) tem trezentos
e sessenta e cinco dias
(não) vivo bem sozinho
ela é só uma menina
estes artigos isentos
sobre o amor idiossincrasias
após o vinho
me afaste a gratidão
chegue mansinho
e segure com força
me destrua paixão
sugue contorça
chega de falácias
brutas são as núpcias

Edu Liguori
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@eduliguori
há 9 meses
Público
Enquanto caminhava
ela surgiu nua sem cores
sombra luz e doces curvas
um momento um fragmento
o tormento do desejo infindo
a saliva preenchia a boca
o corpo cavernoso inchado
sequestrado sob a pele de outrem
puro nervoso faminto
instinto assassino
a história do olho

Edu Liguori
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@eduliguori
há 9 meses
Público
Achei-me grande
sempre achei-me especial
podia crer que era diferente
me via como dedicado valente
granito mármore rocha estante
uma ilusão perene a sempre rio
entre as margens pão cão são não
achei-me grande que engano cruel
entre o mel o leite o fruto o dia o sol
quantas variáveis fixas contradição e pó
sem sentido a formiga dizia em sua língua
pequeno minúsculo só enganado morto e fim

Edu Liguori
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@eduliguori
há 9 meses
Público
Perdi tudo
um giro da roleta
uma escolha
e nada restou
apenas memórias
lembranças agridoces
saudade do gozo
e os cheiros
perdi tudo
porque assim é
não há outro caminho
fiz bem minha trilha
não há volta
beijos perdidos
se vão para sempre

Edu Liguori
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@eduliguori
há 9 meses
Público
Você se lembra
quando a carne tinha cheiro
calor
sabor salgado
e mordíamos
beijávamos
lambíamos
antes de consumí-la
hoje a carne é fria
elétrons na prateleira
das retinas iluminadas
sem sonho
sem fome
sem a morte

Edu Liguori
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@eduliguori
há 9 meses
Público
‘Vira a cana e gasta a sola’
dizia o compadre Zé
Zé tava sempre certo
sábio das vilas e cortiços
Zé conhecia os caminhos
a branquinha no copo
o mocassim nos pés
e seguia o Zé, gastando
Zé não se apegava
pra não sofrer
Zé se entregava
pra não perder
entre idas e vindas
Zé gozou o simples
teve, viu, chorou e sorriu
assim como quem nada quer
mas não deixa nada passar
Zé tomou tapa e rasteira
perdeu estribeira
e ganhou galo na testa
mas viveu em festa
era bom de valsa
conversa e diz que me diz
Zé tava constante na roda
de samba, choro e arraia
esse soube viver
amou tanto que não teve tempo
de dizer adeus
Zé num desses arremedos
resolveu voar
e sem mais nem menos
não parou mais de sonhar

Edu Liguori
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@eduliguori
há 9 meses
Público
Hoje eu vou beber
até morrer da saudade de amar
lá na baixa da ladeira tem o jardim
mas não é o fim
é só um lugar para parar
e depois recomeçar

Edu Liguori
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@eduliguori
há 9 meses
Público
Gosto muito de quem me gosta
sou recíproco
amo o reflexo da alma
quem ri é rico
quem abraça acolhe
quem beija é amor
essa é minha religião
e não vai mudar
mesmo que decidam
que o mundo não é lugar para o amor

Edu Liguori
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@eduliguori
há 9 meses
Público
O tédio é oco
o oco do coco
o coco vazio
um velho navio
encalhado num toco
o tédio é o pouco
que sobrou do roto
do fio do pavio
do artefato
morto

Edu Liguori
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@eduliguori
há 9 meses
Público
Em uma linda tarde
a ébria nudez
se revela amarela
sob os cabelos
e ondas macias
só havia ela
a beleza da luz
de uma aquarela

Edu Liguori
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