Primeiro Ato - Cena III O Noviço · Capítulo 4 de 45
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Primeiro Ato - Cena III

Entra Juca, vestido de frade, com chapéu desabado, tocando um assobio.

FLORÊNCIA - Anda cá, filhinho. Como estas galante com esse hábito!

AMBRÓSIO - Juquinha, gostas desta roupa?

JUCA - Não , não me deixa correr, é preciso levantar assim...

(Arregaça o hábito)

AMBRÓSIO - Logo te acostumarás.

FLORÊNCIA - Filhinho, hás-de ser um fradinho muito bonito.

JUCA-

(chorando)

Não quero ser frade!

FLORÊNCIA - Então, o que é isso?

JUCA - Hi, hi, hi... Não quero ser frade!

FLORÊNCIA - Menino!

AMBRÓSIO - Pois não te darei o carrinho que te prometi, todo bordado de prata, com cvalos

de ouro.

JUCA -

(rindo-se)

Onde está o carrinho?

AMBRÓSIO - Já o encomendei; é cousa muito bonita: os arreios todos enfeitados de fitas e

veludo.

JUCA - Os cavalos são de ouro?

AMBRÓSIO - Pois não, de ouro com olhos de brilhantes.

JUCA - E andam sozinhos?

AMBRÓSIO - Se andam! De marcha e passo.

JUCA - Andam, mamãe?

FLORÊNCIA - Correm, filhinho.

JUCA -

(saltando de contente)

Como é bonito! E o carrinho tem rodas, capim para os cavalos, uma moça bem enfeitada?

AMBRÓSIO - Não lhe falta nada.

JUCA - E quando vem?

AMBRÓSIO - Assim que estiver pronto.

JUCA -

(saltando e cantando)

Eu quero ser frade, eu quero ser frade... (Etc.)

AMBRÓSIO -

(para Florência)

Assim o iremos acostumando

FLORÊNCIA - Coitadinho, é preciso comprar-lhe o carrinho!

AMBRÓSIO -

(rindo-se)

Com cavalos de ouro?

FLORÊNCIA - Não.

AMBRÓSIO - Basta que se compre uma caixinha com soldadinhos de chumbo.

JUCA -

(saltando pela sala)

Eu quero ser frade!

FLORÊNCIA - Está bom, Juquinha, serás frade, mas não grites tanto. Vai lá para dentro.

JUCA -

(sai cantando)

- Eu quero ser frade... (etc.)

FLORÊNCIA - Estas crianças...

AMBRÓSIO - Este levaremos com facilidade... De pequenino se torce o pepino... Cuidado

me dá o teu sobrinho Carlos.

FLORÊNCIA - Já vai para seis meses que ele entrou como noviço no convento.

AMBRÓSIO - E queira Deus que decorra o ano inteiro para professar, que só assim ficaremos

tranqüilos.

FLORÊNCIA - E se fugir do convento?

AMBRÓSIO - Lá isso não temo eu... Está bem recomendado. É preciso empregarmos toda

nossa autoridade para obrigá-lo a professar. O motivo, bem o sabes...

FLORÊNCIA - Mas olha que Carlos é da pele, é endiabrado.

AMBRÓSIO - Outros tenho eu domado... Vão sendo horas de sairmos, vou me vestir.

(Sai pela esquerda.)

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