Terceiro Ato - Cena VII
Emília, Florência e Carlos, debaixo da cama.
FLORÊNCIA - Então, que te parece teu primo Carlos? É a terceira fugida que faz. Isto assim
não é bonito.
EMÍLIA - E para que o prendem?
FLORÊNCIA - Prendem-no porque ele foge.
EMÍLIA - E ele foge porque o prendem.
FLORÊNCIA - Belo argumento! É mesmo desta cabeça.
(Carlos puxa pelo vestido de Emília.)
Mas o que tens tu?
EMÍLIA - Nada, não senhora.
FLORÊNCIA - Se ele aqui aparecer hoje há-de ter paciência, irá para o convento, ainda que
seja amarrado. É preciso quebrar-lhe o gênio. Estais a mexer-te?
EMÍLIA - Não, senhora.
FLORÊNCIA - Queira Deus que ele se emende... Mas que tens tu Emília, tão inquieta?
EMÍLIA - São cócegas na sola dos pés.
FLORÊNCIA - Ah, isso são cãibras. Bate com o pé, assim estais melhor.
EMÍLIA - Vai passando.
FLORÊNCIA - O sobrinho é estouvado, mas nunca te dará os desgostos que me deu o
Ambró... - nem quero pronunciar o nome. E tu não te aquietas? Bbate com o pé.
EMÍLIA -
(afastando-se da cama)
Não posso estar quieta no mesmo lugar;
(À parte:)
Que louco!
FLORÊNCIA - Estou arrependida de ter escrito.
(Entra José.)
Quem vem aí?