Terceiro Ato - Cena XII
Entram pelo fundo quatro homens armados, Jorge trazendo uma vela acesa. Claro.
JORGE -
(entrando)
Vizinha, vizinha, o que é? O que foi? Não vejo ninguém...
(Dá com Florência no canto.)
Quem está aqui?
FLORÊNCIA - Ai, ai!
JORGE - Vizinha, somos nós...
EMÍLIA, dentro - Minha mãe, minha mãe!
(Entra.)
FLORÊNCIA - Ah, é o vizinho Jorge! E estes senhores?
(Levantando-se ajudada por Jorge.)
EMÍLIA - Minha mãe, o que foi?
FLORÊNCIA - Filha!
JORGE - Estava na porta de minha loja, quando ouvi gritar: Socorro, socorro! Conheci a voz
da vizinha e acudi com estes quatro amigos.
FLORÊNCIA - Muito obrigado, vizinho, ele já se foi.
JORGE - Ele quem?
FLORÊNCIA - O ladrão.
TODOS - O ladrão!
FLORÊNCIA - Sim, um ladrão vestido de frade, que me queria roubar e assassinar.
EMÍLIA, para Florência - Minha mãe!
JORGE - Mas ele não teve tempo de sair. Procuremos.
FLORÊNCIA - Espere, vizinho, deixe-me sair primeiro. Se o encontrarem, dêem-lhe uma boa
arrochada e levem-no preso.
(À parte:)
Há-de me pagar! Vamos menina.
EMÍLIA -
(para Florência)
É Carlos, minha mãe, é o primo!
FLORÊNCIA -
(para Emília)
Qual primo! É ele, teu padrasto.
EMÍLIA - É o primo!
FLORÊNCIA - É ele, é ele. Vem. procurem-no bem, vizinhos, e pau nele. Anda, anda.
(Sai com Emília.)