Terceiro Ato - Cena IV
Carlos entra pelo fundo, apressado; traz o hábito roto e sujo.
CARLOS - Não há grades que me prendam, nem muros que me retenham. Arrombei grades,
saltei muros e eis-me aqui de novo. E lá deixei parte do hábito, esfolei os joelhos e as mãos.
Estou em belo estado! Ora, para que ateimam comigo? Por fim lanço fogo ao convento e
morrem todos os frades assados, e depois queixem-se. Estou no meu antigo quarto, ninguém
me viu entrar. Ah, que cama é esta? É da tia... Estará... Ah, é ela... e dorme... Mudou de
quarto? O que se terá passado nesta casa há oito dias. Estive preso, incomunicável, a pão e
água. Ah, frades! Nada sei. O que será feito da primeira mulher do senhor meu tio, desse
grande patife? Onde estará a prima? Como dorme! Ronca que é um regalo!
(Batem palmas.)
Batem! Serão eles, não tem dúvida. Eu acabo por matar um frade...
MESTRE -
(dentro)
Deus esteja nesta casa.
CARLOS - É o padre mestre! Já deram pela minha fugida...
MESTRE -
(dentro)
Dá licença?
CARLOS - Não sou eu que ta hei-de dar. Escondamo-nos, mas de modo que ouça o que ele
diz... Debaixo da cama...
(Esconde-se.)
MESTRE -
(dentro)
batendo com força -Dá licença?
FLORÊNCIA -
(acordando)
Quem é? Quem é?
MESTRE(dentro) - Um servo de Deus.
FLORÊNCIA - Emília? Emília?
(Toca a campainha)