Terceiro Ato - Cena IV O Noviço · Capítulo 30 de 45
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Terceiro Ato - Cena IV

Carlos entra pelo fundo, apressado; traz o hábito roto e sujo.

CARLOS - Não há grades que me prendam, nem muros que me retenham. Arrombei grades,

saltei muros e eis-me aqui de novo. E lá deixei parte do hábito, esfolei os joelhos e as mãos.

Estou em belo estado! Ora, para que ateimam comigo? Por fim lanço fogo ao convento e

morrem todos os frades assados, e depois queixem-se. Estou no meu antigo quarto, ninguém

me viu entrar. Ah, que cama é esta? É da tia... Estará... Ah, é ela... e dorme... Mudou de

quarto? O que se terá passado nesta casa há oito dias. Estive preso, incomunicável, a pão e

água. Ah, frades! Nada sei. O que será feito da primeira mulher do senhor meu tio, desse

grande patife? Onde estará a prima? Como dorme! Ronca que é um regalo!

(Batem palmas.)

Batem! Serão eles, não tem dúvida. Eu acabo por matar um frade...

MESTRE -

(dentro)

Deus esteja nesta casa.

CARLOS - É o padre mestre! Já deram pela minha fugida...

MESTRE -

(dentro)

Dá licença?

CARLOS - Não sou eu que ta hei-de dar. Escondamo-nos, mas de modo que ouça o que ele

diz... Debaixo da cama...

(Esconde-se.)

MESTRE -

(dentro)

batendo com força -Dá licença?

FLORÊNCIA -

(acordando)

Quem é? Quem é?

MESTRE(dentro) - Um servo de Deus.

FLORÊNCIA - Emília? Emília?

(Toca a campainha)

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