Primeiro Ato - Cena XII O Noviço · Capítulo 13 de 45
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Primeiro Ato - Cena XII

Entra Ambrósio de casaca seguido de Florência e Emília, ambas de véu de renda preta sobre a

cabeça.

AMBRÓSIO -

(entrando)

Andem, andem! Irra, essas mulheres a vestirem-se fazem perder a paciência!

FLORÊNCIA, - Estamos prontas.

AMBRÓSIO -

(vendo Carlos)

Oh, que fazes aqui?

CARLOS

(principia a passear pela sala de um para outro lado)

Não vê? Estou passeando; divirto-me. AMBRÓSIO - Como é lá isso?

CARLOS -

(do mesmo modo)

Não é da sua conta.

FLORÊNCIA - Carlos, que modos são esses?

CARLOS - Que modos são? São os meus.

EMÍLIA -

(à parte)

Ele se perde!

FLORÊNCIA - Estás doido?

CARLOS - Doido estava alguém quando... Não me faça falar...

FLORÊNCIA - Hem?

AMBRÓSIO - Deixe-o comigo.

(Para Carlos:)

Por que saíste do convento?

CARLOS - Porque quis. Então não tenho vontade?

AMBRÓSIO - Isso veremos. Já para o convento!

CARLOS -

(rindo-se com força)

Ah, ah, ah !

AMBRÓSIO - Ri-se?

FLORÊNCIA -

(ao mesmo tempo)

Carlos!

EMÍLIA - Primo!

CARLOS - Ah, ah, ah!

AMBRÓSIO -

(enfurecido)

Ainda uma vez, obedece-me, ou...

CARLOS - Que cara! Ah, ah!

(Ambrósio corre para cima de Carlos.)

FLORÊNCIA -

(metendo-se no meio)

Ambrosinho!

AMBRÓSIO - Deixe-me ensinar a este malcriado.

CARLOS - Largue-o, tia, não tenha medo.

EMÍLIA - Carlos!

FLORÊNCIA - Sobrinho, o que é isso?

CARLOS - Está bom, não se amofinem tanto, voltarei para o convento.

AMBRÓSIO - Ah, já?

CARLOS - Já, sim senhor, quero mostrar a minha obediência.

AMBRÓSIO - E que não fosse.

CARLOS - Incorreria no seu desagrado? Forte desgraça!...

FLORÊNCIA - Principias?

CARLOS - Não senhora, quero dar uma prova de submissão ao senhor meu tio... É, meu tio,

é... Casado com minha tia segunda vez... Quero dizer, minha tia é que se casou segunda vez.

AMBRÓSIO -

(assustando-se, à parte)

O que diz ele?

CARLOS -

(que o observa)

Não há duvida...

FLORÊNCIA -

(para Emília)

O que tem hoje este rapaz?

CARLOS - Não é assim, senhor meu tio? Venha cá, faça-me o favor, senhor meu rio.

(Travando-lhe do braço.)

AMBRÓSIO -Tira as mãos.

CARLOS - Ora,faça-me o favor, senhor meu tio, quero-lhe mostrar uma coisa; depois farei o

que quiser.

(Levando-o para a porta do quarto.)

FLORÊNCIA - O que é isto?

AMBRÓSIO - Deixa-me!

CARLOS - Um instante.

(Retendo Ambrósio com uma mão, com a outra empurra a porta e aponta para dentro,

dizendo:)

Vê!

AMBRÓSIO -

(afirmando a vista)

- Oh!

(Volta para junto de Florência e de Emília, e as toma convulsivo pelo braço.)

Vamos, vamos, são horas!

FLORÊNCIA - O que é?

AMBRÓSIO -

(forcejando por sair e levá-las consigo)

Vamos, vamos!

FLORÊNCIA - Sem chapéu?

AMBRÓSIO - Vamos, vamos!

(Sai, levando-as.)

C A R L O S -Então, senhor meu tio? Já não quer que eu vá para o convento?

(Depois que ele sai.)

Senhor meu tio, senhor meu tio?

(Vai a porta, gritando.)

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