Terceiro Ato - Cena XIX
Entra Carlos preso por soldados, etc., seguido de Jorge.
JORGE -
(entrando adiante)
Vizinha, o ladrão foi apanhado.
CARLOS -
( entre os soldados)
Tia!
FLORÊNCIA - Carlos!
EMÍLIA - O primo!
(Ambrósio bota a cabeça de fora e espia.)
JORGE - É o ladrão.
FLORÊNCIA - Vizinho, este é o meu sobrinho Carlos.
JORGE - Seu sobrinho? Pois foi quem levou a coça.
CARLOS - Ainda cá sinto...
FLORÊNCIA - Coitado! Foi um engano, vizinho.
JORGE -
(para os meirinhos)
Podem largá-lo.
CARLOS - Obrigado. Priminha!
(Indo para ela.)
EMÍLIA - Pobre primo.
FLORÊNCIA -
(para Jorge)
Nós já sabemos como foi o engano, neste armário; depois lhe explicarei.
(Ambrósio esconde-se.)
JORGE -
(para os soldados)
Sinto o trabalho que tiveram... E como não é mais preciso, podem-se retirar.
ROSA - Queiram ter a bondade de esperar. Senhores oficiais de justiça, aqui lhes apresento
este mandado de prisão, lavrado contra um homem que se oculta dentro daquele armário.
TODOS - Naquele armário!
MEIRINHO-
(que tem lido o mandado)
O mandado está em forma.
ROSA - Tenham a bondade de levantar o armário.
(Os oficiais de justiça e os quatro homens levantam o armário.)
FLORÊNCIA - Abram
(Ambrósio sai muito pálido, depois de abrirem o armário.)
CARLOS - O senhor meu tio!
EMÍLIA - Meu padrasto!
JORGE - O Sr. Ambrósio.
MEIRINHO - Estais preso.
ROSA - Levai-o.
FLORÊNCIA - Para a cadeia.
AMBRÓSIO - Um momento. Estou preso, vou passar seis meses na cadeia... Exultai,
senhoras. Eu me deveria lembrar antes de me casar com duas mulheres, que basta só uma para
fazer o homem desgraçado. O que diremos de duas? Reduzem-no ao estado em que me vejo.
Mas não sairei daqui sem ao menos vingar-me em alguém.
(Para os meirinhos:)
Senhores, aquele moço fugiu do convento depois de assassinar um frade.
CARLOS - O que é lá isso?
(Mestre de Noviços entra pelo fundo.)
AMBRÓSIO - Senhores, denuncio-vos um criminoso.
MEIRINHO - É verdade que tenho aqui uma ordem contra um noviço...
MESTRE - ...Que já de nada vale.
(Prevenção.)
TODOS - O Padre-Mestre!
MESTRE -
(para Carlos)
Carlos, o D. Abade julgou mais prudente que lá não voltásseis. Aqui tens a permissão por ele
assinada para saíres do convento.
CARLOS -
(abraçando-o)
Meu bom Padre-Mestre, este ato reconcilia-me com os frades.
MESTRE - E vós, senhoras, esperai da justiça dos homens o castigo deste malvado.
(Para Carlos e Emília:)
E vós, meus filhos, sede felizes, que eu pedirei para todos
(ao público:)
indulgência!
AMBRÓSIO - Oh, mulheres, mulheres!
(Execução.)
FIM