Terceiro Ato - Cena XIX O Noviço · Capítulo 45 de 45
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Terceiro Ato - Cena XIX

Entra Carlos preso por soldados, etc., seguido de Jorge.

JORGE -

(entrando adiante)

Vizinha, o ladrão foi apanhado.

CARLOS -

( entre os soldados)

Tia!

FLORÊNCIA - Carlos!

EMÍLIA - O primo!

(Ambrósio bota a cabeça de fora e espia.)

JORGE - É o ladrão.

FLORÊNCIA - Vizinho, este é o meu sobrinho Carlos.

JORGE - Seu sobrinho? Pois foi quem levou a coça.

CARLOS - Ainda cá sinto...

FLORÊNCIA - Coitado! Foi um engano, vizinho.

JORGE -

(para os meirinhos)

Podem largá-lo.

CARLOS - Obrigado. Priminha!

(Indo para ela.)

EMÍLIA - Pobre primo.

FLORÊNCIA -

(para Jorge)

Nós já sabemos como foi o engano, neste armário; depois lhe explicarei.

(Ambrósio esconde-se.)

JORGE -

(para os soldados)

Sinto o trabalho que tiveram... E como não é mais preciso, podem-se retirar.

ROSA - Queiram ter a bondade de esperar. Senhores oficiais de justiça, aqui lhes apresento

este mandado de prisão, lavrado contra um homem que se oculta dentro daquele armário.

TODOS - Naquele armário!

MEIRINHO-

(que tem lido o mandado)

O mandado está em forma.

ROSA - Tenham a bondade de levantar o armário.

(Os oficiais de justiça e os quatro homens levantam o armário.)

FLORÊNCIA - Abram

(Ambrósio sai muito pálido, depois de abrirem o armário.)

CARLOS - O senhor meu tio!

EMÍLIA - Meu padrasto!

JORGE - O Sr. Ambrósio.

MEIRINHO - Estais preso.

ROSA - Levai-o.

FLORÊNCIA - Para a cadeia.

AMBRÓSIO - Um momento. Estou preso, vou passar seis meses na cadeia... Exultai,

senhoras. Eu me deveria lembrar antes de me casar com duas mulheres, que basta só uma para

fazer o homem desgraçado. O que diremos de duas? Reduzem-no ao estado em que me vejo.

Mas não sairei daqui sem ao menos vingar-me em alguém.

(Para os meirinhos:)

Senhores, aquele moço fugiu do convento depois de assassinar um frade.

CARLOS - O que é lá isso?

(Mestre de Noviços entra pelo fundo.)

AMBRÓSIO - Senhores, denuncio-vos um criminoso.

MEIRINHO - É verdade que tenho aqui uma ordem contra um noviço...

MESTRE - ...Que já de nada vale.

(Prevenção.)

TODOS - O Padre-Mestre!

MESTRE -

(para Carlos)

Carlos, o D. Abade julgou mais prudente que lá não voltásseis. Aqui tens a permissão por ele

assinada para saíres do convento.

CARLOS -

(abraçando-o)

Meu bom Padre-Mestre, este ato reconcilia-me com os frades.

MESTRE - E vós, senhoras, esperai da justiça dos homens o castigo deste malvado.

(Para Carlos e Emília:)

E vós, meus filhos, sede felizes, que eu pedirei para todos

(ao público:)

indulgência!

AMBRÓSIO - Oh, mulheres, mulheres!

(Execução.)

FIM

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