#Desafio 064
Entre o Salto e o Chão, Você
Abraçou a intensidade dela
sem escudo, sem medo.
Ela, vertigem e furacão
oscila entre êxtase e dor
chama que se desfaz
mar que recua.
Ele, herói improvável
linha tênue entre polos
fio invisível que a sustenta
sem querer prendê-la,
sem conseguir soltá-la.
Ela, à beira do grito.
Ele, suspenso nos entremeios.
No lugar onde os extremos se beijam
nasce o infinito:
um amor que não pousa
mas se recria em voos.
O que seria mais irônica e poética
que a ferida que nos refaz,
nos parte e nos une?
Crs Ribeiro
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#Desafio 063
Vela de barco:
tensionada, amarrada, presa.
Nó de azelha
firmando, puxando, enterrando.
Mas quem vai prender o vento?
Quem vai domar a vertigem do mar?
Que me rasgue a carne,
que me curvem os ossos.
Nada estanca o gozo das águas,
o incêndio branco do sol,
o azul que engole a dor e a saudade:
esse chamado obsceno do infinito.
Minha alma desaprendeu a ter bordas:
é fome, é riso de coisa solta.
Guio a direção sem pretender o porto.
Quero a perda, a queda, o voo;
quero o devaneio de nunca chegar.
E, se nunca chegar,
que seja porque me perdi,
que seja porque o chão se fez ilusão.
E eu, vento, me faço mar,
e não há mais volta…
Porque já não sou quem partiu.
Crs Ribeiro
Vela de barco:
tensionada, amarrada, presa.
Nó de azelha
firmando, puxando, enterrando.
Mas quem vai prender o vento?
Quem vai domar a vertigem do mar?
Que me rasgue a carne,
que me curvem os ossos.
Nada estanca o gozo das águas,
o incêndio branco do sol,
o azul que engole a dor e a saudade:
esse chamado obsceno do infinito.
Minha alma desaprendeu a ter bordas:
é fome, é riso de coisa solta.
Guio a direção sem pretender o porto.
Quero a perda, a queda, o voo;
quero o devaneio de nunca chegar.
E, se nunca chegar,
que seja porque me perdi,
que seja porque o chão se fez ilusão.
E eu, vento, me faço mar,
e não há mais volta…
Porque já não sou quem partiu.
Crs Ribeiro
#Desafio 062
O Pai escuta,
Mas até quando?
Por ora, afasta o cálice.
Mas a mancha de vinho tinto
é impressa na pele,
lateja na alma:
amarga cicatriz que o tempo não lava.
A boca não cerra
não pode, não deve!
Há um grito entranhado na carne
Um grito obsceno
visceral
que ainda rasga pela voz de Chico:
alerta sem calmaria.
O monstro?
Esse nunca dorme.
Ronda, espreita, saliva.
Tem fome:
fome de silêncio,
fome de medo
fome da carne
fome de sangue fresco.
Mas há quem não se cale
quem faça do peito uma ferida aberta
do grito, um corpo em convulsão.
E que ecoe
que tome o mundo,
que arrombe as portas trancadas
que profane e impeça o retorno da noite.
Porque há corpos demais sob a terra
e memórias que urram na escuridão.
E enquanto houver voz
o cálice não se erguerá.
E que o vento leve esse grito
como leva as sementes
fazendo germinar a palavra
no caos da devastação.
Que a coragem seja nossa arte
a arte seja o nosso berro
e que o berro seja insubmisso
feroz, imbatível.
Ainda estamos aqui.
Sempre estaremos.
Crs Ribeiro
O Pai escuta,
Mas até quando?
Por ora, afasta o cálice.
Mas a mancha de vinho tinto
é impressa na pele,
lateja na alma:
amarga cicatriz que o tempo não lava.
A boca não cerra
não pode, não deve!
Há um grito entranhado na carne
Um grito obsceno
visceral
que ainda rasga pela voz de Chico:
alerta sem calmaria.
O monstro?
Esse nunca dorme.
Ronda, espreita, saliva.
Tem fome:
fome de silêncio,
fome de medo
fome da carne
fome de sangue fresco.
Mas há quem não se cale
quem faça do peito uma ferida aberta
do grito, um corpo em convulsão.
E que ecoe
que tome o mundo,
que arrombe as portas trancadas
que profane e impeça o retorno da noite.
Porque há corpos demais sob a terra
e memórias que urram na escuridão.
E enquanto houver voz
o cálice não se erguerá.
E que o vento leve esse grito
como leva as sementes
fazendo germinar a palavra
no caos da devastação.
Que a coragem seja nossa arte
a arte seja o nosso berro
e que o berro seja insubmisso
feroz, imbatível.
Ainda estamos aqui.
Sempre estaremos.
Crs Ribeiro
Eu acho que vi uma sereia neste Carnaval…
A beleza e encanto de @Cilene na declamação de 2024.隆♀️
A beleza e encanto de @Cilene na declamação de 2024.隆♀️
#Desafio 061
Torto.
Amo de viés:
a linha ziguezagueia,
se perde na curva,
se enrosca na tua alma
sem pudor.
O dedal cai.
Não há mais precisão.
Sem rumo,
sem medida,
mas ainda assim
não se desfaz.
Sobra amor…
Entre um remendo e outro,
a peça vai se refazendo.
Um abraço no descuido,
uma costura no erro…
e aos poucos
vai se tornando mais forte,
mais firme,
encorpada,
quase invencível.
Chegará o momento
em que nada a rasgará:
nem o tempo,
nem o seu olhar cortante,
nem os dentes da solidão.
Porque, no fundo,
o torto, o desalinhado,
é o que sobrevive.
E no fim, talvez,
o torto seja o único lugar
onde o amor ainda possa ser inteiro,
onde o erro se faz caminho,
onde a costura,
mesmo fora do lugar,
seja o que me mantém
(num alinhavo justinho)
bordada em você.
Crs Ribeiro
Torto.
Amo de viés:
a linha ziguezagueia,
se perde na curva,
se enrosca na tua alma
sem pudor.
O dedal cai.
Não há mais precisão.
Sem rumo,
sem medida,
mas ainda assim
não se desfaz.
Sobra amor…
Entre um remendo e outro,
a peça vai se refazendo.
Um abraço no descuido,
uma costura no erro…
e aos poucos
vai se tornando mais forte,
mais firme,
encorpada,
quase invencível.
Chegará o momento
em que nada a rasgará:
nem o tempo,
nem o seu olhar cortante,
nem os dentes da solidão.
Porque, no fundo,
o torto, o desalinhado,
é o que sobrevive.
E no fim, talvez,
o torto seja o único lugar
onde o amor ainda possa ser inteiro,
onde o erro se faz caminho,
onde a costura,
mesmo fora do lugar,
seja o que me mantém
(num alinhavo justinho)
bordada em você.
Crs Ribeiro
#Desafio 060
Tem blues no meu Carnaval…
NO MEU PEITO
(depois do tiro, o blues)
A voz rouca
arranhada de cigarro:
whisky barato,
palavras presas,
sussurros de dor.
(Repetindo… sempre repetindo…)
Leva uma verdade suja,
tão funda quanto o grito que morre,
tão amarga quanto o fim,
um acorde suspenso
que não sabe quando vai cair.
A dor gira,
gira,
desliza
feito faca cega.
O peito bate:
descompasso.
O peito bate:
quase dança à beira do caos.
O peito bate:
afunda.
E a guitarra…
não chora,
geme.
Rasga, suplica, sangra.
É uma boca aberta no escuro,
e só quer mais.
As feridas cortam,
curam,
voltam a cortar
no mesmo ritmo,
sangue quente que não estanca.
Soul’s Cry
é o amor que se perde e se refaz
no abismo da carne,
onde o silêncio grita,
e se contorce na ausência.
E depois,
só o vazio
tocando em surdina.
Uma nota que ninguém ouve,
mas que atravessa tudo.
Crs Ribeiro
Tem blues no meu Carnaval…
NO MEU PEITO
(depois do tiro, o blues)
A voz rouca
arranhada de cigarro:
whisky barato,
palavras presas,
sussurros de dor.
(Repetindo… sempre repetindo…)
Leva uma verdade suja,
tão funda quanto o grito que morre,
tão amarga quanto o fim,
um acorde suspenso
que não sabe quando vai cair.
A dor gira,
gira,
desliza
feito faca cega.
O peito bate:
descompasso.
O peito bate:
quase dança à beira do caos.
O peito bate:
afunda.
E a guitarra…
não chora,
geme.
Rasga, suplica, sangra.
É uma boca aberta no escuro,
e só quer mais.
As feridas cortam,
curam,
voltam a cortar
no mesmo ritmo,
sangue quente que não estanca.
Soul’s Cry
é o amor que se perde e se refaz
no abismo da carne,
onde o silêncio grita,
e se contorce na ausência.
E depois,
só o vazio
tocando em surdina.
Uma nota que ninguém ouve,
mas que atravessa tudo.
Crs Ribeiro
Para sexxxtar em grande estilo: @Albertobusquets
Declamação: setembro de 2024
Declamação: setembro de 2024
#Desafio 059
Como seria tocar uma pele
tão macia quanto a minha?
Um sopro: suave, tão leve,
seria a minha rendição?
Tua voz aveludada,
teu riso, desordem sutil.
Palavra doce, safada,
veneno que ensina
a febre a ser mais febril.
Texturas de fina seda,
renda a roçar meus dedos…
Teu toque? Promessa acesa
deslizo dentro dos teus segredos.
Tua língua, trilha aberta:
labirinto que me invade
em doce oferta
acende ais,
me deixa tensa,
me embriaga,
entorpece.
Envolve-me no teu véu,
Que fere sem machucar,
me faz tocar o céu,
em queda delirante:
descer sem aterrissar.
Te quero sem mais demora,
teu querer é minha verdade.
Me toma,
agora,
sem hora
E derreto…
Sem salvação.
Crs Ribeiro
Como seria tocar uma pele
tão macia quanto a minha?
Um sopro: suave, tão leve,
seria a minha rendição?
Tua voz aveludada,
teu riso, desordem sutil.
Palavra doce, safada,
veneno que ensina
a febre a ser mais febril.
Texturas de fina seda,
renda a roçar meus dedos…
Teu toque? Promessa acesa
deslizo dentro dos teus segredos.
Tua língua, trilha aberta:
labirinto que me invade
em doce oferta
acende ais,
me deixa tensa,
me embriaga,
entorpece.
Envolve-me no teu véu,
Que fere sem machucar,
me faz tocar o céu,
em queda delirante:
descer sem aterrissar.
Te quero sem mais demora,
teu querer é minha verdade.
Me toma,
agora,
sem hora
E derreto…
Sem salvação.
Crs Ribeiro
#Desafio 058
A dor física
é grito
é carne aberta
é incêndio breve
que consome e passa.
Mas a dor da alma..
Ah, essa é outra!
É naufrágio sem água
é ferida sem sangue
é um luto que não veste preto.
Ela desbota os dias
apaga as manhãs
e o mundo inteiro
vira um palco vazio.
É uma ausência que pesa.
Um grito que ninguém ouve.
Uma espera sem chegada.
E não há cura
nem bálsamo
nem prece que adormeça.
Só o tempo,
esse carrasco paciente…
Talvez, um dia,
nos devolva
a coragem do riso.
Crs Ribeiro
A dor física
é grito
é carne aberta
é incêndio breve
que consome e passa.
Mas a dor da alma..
Ah, essa é outra!
É naufrágio sem água
é ferida sem sangue
é um luto que não veste preto.
Ela desbota os dias
apaga as manhãs
e o mundo inteiro
vira um palco vazio.
É uma ausência que pesa.
Um grito que ninguém ouve.
Uma espera sem chegada.
E não há cura
nem bálsamo
nem prece que adormeça.
Só o tempo,
esse carrasco paciente…
Talvez, um dia,
nos devolva
a coragem do riso.
Crs Ribeiro
Um pouco de beleza em dia estranho…
Declamação: setembro de 2024
Declamação: setembro de 2024