Das Velhas e Jovens Mulherzinhas Assim Falou Zaratustra: Um Livro para Todos e para Ninguém · Capítulo 20 de 82
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Das Velhas e Jovens Mulherzinhas

Das Velhas e Jovens Mulherzinhas

"Por que rastejas tão esquivo pelo crepúsculo, Zaratustra? E que escondes com tanto cuidado sob teu manto?

É um tesouro que te foi dado? Ou uma criança que te nasceu? Ou andas agora tu mesmo pelos caminhos dos ladrões, tu, amigo dos maus?"

Em verdade, meu irmão! disse Zaratustra, é um tesouro que me foi dado: uma pequena verdade é o que carrego.

Mas ela é indócil como uma criança nova; e se eu não lhe tapo a boca, grita alto demais.

Quando hoje seguia sozinho meu caminho, à hora em que o sol se põe, encontrei uma velha mulherzinha, e ela falou assim à minha alma:

"Muito falou Zaratustra também a nós, mulheres, mas nunca nos falou sobre a mulher."

E eu lhe respondi: "sobre a mulher deve-se falar apenas aos homens."

"Fala também a mim sobre a mulher", disse ela; "sou velha o bastante para esquecê-lo logo em seguida."

E eu atendi à velha mulherzinha e assim lhe falei:

Tudo na mulher é enigma, e tudo na mulher tem uma solução: chama-se gravidez.

O homem é para a mulher um meio: o fim é sempre a criança. Mas o que é a mulher para o homem?

Duas coisas quer o homem autêntico: perigo e jogo. Por isso quer a mulher como o mais perigoso brinquedo.

O homem deve ser educado para a guerra, e a mulher para a recreação do guerreiro: todo o resto é tolice.

Frutos doces demais — desses o guerreiro não gosta. Por isso ele gosta da mulher; amarga é ainda a mais doce mulher.

Melhor que o homem a mulher entende as crianças, mas o homem é mais infantil que a mulher.

No homem autêntico há uma criança escondida: ela quer brincar. Vamos, mulheres, descobri-me então a criança no homem!

Que a mulher seja um brinquedo, puro e fino, igual à pedra preciosa, irradiado pelas virtudes de um mundo que ainda não existe.

Que o raio de uma estrela brilhe em vosso amor! Que vossa esperança se chame: "possa eu dar à luz o além-do-homem!"

Em vosso amor haja bravura! Com vosso amor deveis avançar contra aquele que vos infunde medo!

Em vosso amor esteja vossa honra! Pouco entende a mulher, de resto, de honra. Mas que isto seja vossa honra: amar sempre mais do que sois amadas, e nunca serdes as segundas.

Que o homem tema a mulher quando ela ama: então ela traz todo sacrifício, e qualquer outra coisa não tem valor para ela.

Que o homem tema a mulher quando ela odeia: pois o homem, no fundo da alma, é apenas mau; mas a mulher, ali, é ruim.

A quem a mulher odeia mais? — Assim falou o ferro ao ímã: "eu te odeio mais que a todos, porque atrais, mas não és forte o bastante para puxar para junto de ti."

A felicidade do homem se chama: eu quero. A felicidade da mulher se chama: ele quer.

"Vê, agora mesmo o mundo se tornou perfeito!" — assim pensa toda mulher quando obedece por amor inteiro.

E obedecer deve a mulher e encontrar uma profundidade para sua superfície.

Superfície é o ânimo da mulher, uma pele móvel e tempestuosa sobre uma água rasa.

O ânimo do homem, porém, é profundo, sua corrente ruge em cavernas subterrâneas: a mulher pressente sua força, mas não a compreende.

Então me respondeu a velha mulherzinha: "Muitas coisas graciosas disse Zaratustra, e em especial para aqueles que são jovens o bastante para isso.

Estranho é: Zaratustra conhece pouco as mulheres, e ainda assim tem razão sobre elas! Será isso porque, na mulher, nenhuma coisa é impossível?

E agora toma, em agradecimento, uma pequena verdade! Sou velha o bastante para ela!

Embrulha-a e tapa-lhe a boca: senão ela grita alto demais, esta pequena verdade."

"Dá-me, mulher, tua pequena verdade!" disse eu. E assim falou a velha mulherzinha:

"Vais às mulheres? Não esqueças a chibata!"

Assim falou Zaratustra.

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