VIII Opúsculo Humanitário · Capítulo 8 de 62
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VIII

A Grã-Bretanha, marchando à frente de todas as nações pela sua força material, marcha igualmente em primeira ordem na ci Notáveis alemães: Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716), filósofo; Immanuel Kant (1724-1804), filósofo; Friedrich Gottlieb Klopstock (1724-1803), poeta; Johann Wolfgang von Goethe (17491832) escritor; e Friedrich Wilhelm Heinrich Alexander von Humboldt, o barão de Humboldt (1769-1859), naturalista. vilização europeia. Devendo todas as vantagens de que goza, tanto ao seu grandioso comércio, como à estima pelas ciências e letras, ela não tem negligenciado a educação da mulher e o cultivo de sua inteligência. O povo inglês, entre o qual existe menos influência das castas privilegiadas, mais espírito de ordem, mais atividade e mais convicção de seus próprios direitos, não podia deixar de facultar à mulher a liberdade e os meios do segui-lo nos progressos da civilização moderna. O sexo a que pertencia aquela que, segundo a expressão de Voltaire, a Europa contava na ordem de seus maiores homens, Elizabeth, a cujo gênio deveu a Inglaterra a elevação de sua marinha, fazendo-a rivalizar com as de Holanda, de Genova e de Veneza, então no apogeu de sua glória, o princípio do seu comércio nas Índias Orientais, Pérsia, Rússia e América, o grande desenvolvimento de sua literatura, com Bacon, Raleigh e Shakespeare,28 e o aperfeiçoamento de sua língua, tinha por, sem dúvida, incontestáveis direitos a essa consideração da parte de seus concidadãos. Demais, mulheres que têm de participar da sorte de um povo que reúne as duas maiores potências – a força e o querer, ao mais acrisolado critério, quando se trata de empregar os seus recursos para sustentar a própria dignidade, ou para consolidar os seus interesses, assim materiais como morais, mereciam receber a educação que as distingue, e cujos felizes resultados convergem todos para o engrandecimento de sua nação. A mulher Inglesa, educada nos severos princípios de uma sã e esclarecida moral, dá provas desde sua mais tenra mocidade de uma discrição e modesta altivez, que as mulheres das outras nações não lhe podem disputar. Gravando-se-lhe no espírito, quase logo ao sair do berço, a consciência de sua própria dignidade, ela compreende 26 Voltaire, pseudônimo de François-Marie Arouet (1694-1778), foi escritor, ensaísta e filósofo francês. 27 Rainha Elizabeth I (1533-1603). 28 Na sequência: Francis Bacon, (1561-1626), político, filósofo, ensaísta e cientista inglês, autor do Novum Organum; Sir Walter Raleigh (1554-1618), espião, político, escritor e poeta da corte de Elizabeth I; William Shakespeare (1564-1616), poeta, ator e dramaturgo, autor de vasta e influente obra literária. muito cedo a nobreza do sexo a que pertence e a importância do cumprimento de seus deveres. Sem os argos, que velam constantemente sobre as donzelas de quase todas as outras nações, a donzela Inglesa sabe impor, ainda ao mais dissoluto, o decoro, que lhe é devido. A sólida educação, que lhe é ministrada, servindo-lhe de égide, a subtrai à humilhação de uma vigilância que degrada a mulher, porque faz pensar ser-lhe necessário um guarda para que ela permaneça pura! Assim também, compreendendo melhor que as suas ilustradas vizinhas do Continente a importância dos sagrados deveres de esposa e de mãe, a mulher Inglesa não vê, como geralmente aquelas, no casamento um estado que as liberta do jugo de solteira, e lhes permite uma liberdade, de que nem sempre fazem bom uso. Pelo contrário, é neste novo estado que começa para ela a prática de todas as virtudes da vida doméstica. Pode dizer-se que o primeiro dever maternal e inato à mulher Inglesa, a quem, a civilização nada tendo feito perder do sentimento que o ordena, não foi necessário um Emilio de Rousseau para indicar-lho.30 A donzela e a esposa representam, em França e Inglaterra, um papel diametralmente oposto no seu respectivo estado, e é ainda só à educação eminentemente religiosa da mocidade inglesa, que se deve atribuir essa grande diferença. Além disso, o espírito do galanteio que caracteriza os homens da primeira nação, sendo estranho aos da segunda, as mulheres Inglesas têm a vantagem de respirar desde os seus primeiros anos na atmosfera da sinceridade, que com o sentimento de independência forma o principal caráter de sua nação.

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