X Opúsculo Humanitário · Capítulo 10 de 62
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Os dois grandes admiradores da constituição inglesa, e dos costumes da Inglaterra, Voltaire e Montesquieu, nas brilhantes páginas que escreveram a respeito, não quiseram dar uma prova de imparcialidade atribuindo também à influência da educação da mulher o engrandecimento daquele povo. Mas todos conhecem a opinião desses dois célebres escritores, de moral e crenças diversas, a respeito do sexo. O primeiro assinala esta opinião nos sarcasmos contra todas as mulheres, com os quais julgava punir aquela que lhe havia consagrado a vida; o segundo nas linhas seguintes, contidas em seu admirável livro do Espírito das Leis: “La nature, qui a distingué les hommes par la force et par la raison n’a mis à leur pouvoir d’autres termes quo celui de cette raison et de cette force. Elle a donné aux femmes des agréments, et a voulu que leur ascendant finit avec ces agréments.”38 O virtuoso Montesquieu, pensando assim da mulher, autorizava ao degenerado espiritualista Rousseau, quando disse: “La femme est faite spécialement pour plaire à l’homme; si l’homme doit lui plaire a son tour c’est d’une nécessité moins directe; son mérite est dans sa puissance; il plait par cela seul qu’ie est fort.”40 Quanto a Montesquieu, lastimamos, sem admirar, um tal desvio da justa apreciação da mulher, porque estamos habituados a ver, na história de todos os povos, eminentes capacidades, como o ilustre escritor, caírem no mesmo erro quando tratam dela. Do autor do Contrato Social, cujas obras mereceram tanta consideração dos homens pensadores, julgamos que não podia ele melhor descrever a mulher no estado selvagem de que foi tão grande apologista. 37 Voltaire, pseudônimo de François-Marie Arouet (1694-1778) e Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu (1689-1755), já citados. 38 “A natureza, que distinguiu os homens pela força e pela razão, não colocou ao seu alcance outros termos além desta razão e desta força. Deu às mulheres atrativos e quis que sua ascendência terminasse quando terminassem esses atrativos.” 39 Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo francês. 40 “A mulher é feita especialmente para agradar ao homem; se o homem deve agradá-la, por sua vez, é uma necessidade menos direta; seu mérito está em seu poder; ele agrada simplesmente porque é forte”. 41 Jean-Jacques Rousseau. Anteporemos, entretanto, àquelas linhas suas já citadas a observação seguinte do muito espirituoso e distinto literato Philarette Chasles: “La femme n’est rien pour le sauvage; esclave au début de la civilisation, elle acquiert ses droits et sa valeur en parcourant les dégrés qui effacent la tyrannie de la force physique et font régner l’intelligence.” Mas deixemos a Wollstoncraft, Condorcet, Sieyes, Legouvé etc.43 a defesa dos direitos do sexo; a nossa tarefa é outra, e cremos que mais conveniente será às sociedades modernas: a educação da mulher.

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