XIX Opúsculo Humanitário · Capítulo 19 de 62
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XIX

Mais de um moralista tem estabelecido o princípio, que julgamos ter já demonstrado, isto é: que a educação da mulher muita influência tem sobre a moralidade dos povos, e que é ela o característico mais saliente de sua civilização. Isto posto, indaguemos, à vista do estado atual da educação das nossas Brasileiras, quais os meios que se têm empregado, há mais de três séculos, para promover o seu desenvolvimento, em ordem a conseguir os resultados felizes que dela se deve esperar, quando dirigida por instituições sábias e liberais. Retiremos por agora os olhos das tristes páginas de nossa história concernentes à situação da mulher indígena, depois que o farol do cristianismo veio esclarecer esta mais deliciosa porção do novo mundo. Nós a analisaremos em lugar competente e com o coração profundamente compenetrado da sua sorte! Tratemos primeiramente das mulheres a quem os homens da civilização, entre nós, denominam brasileiras, isto é, as mulheres não indígenas, que nascem de famílias livres, ou aquelas que a bondade dos pais resgata, na pia batismal, do triste selo da escravidão! Não é na história da nossa terra que iremos estudar a situação das nossas mulheres, porque, infelizmente, os poucos homens que têm escrito apenas esboços dela não as acharam dignas de ocupar algumas páginas de seus livros. Assim, recorreremos aos viajantes estrangeiros que consagraram alguns de seus escritos à narração, por vezes alterada, do caráter e costumes das Brasileiras, para tratarmos delas nas províncias em que não temos nós mesmo viajado e sido testemunhas oculares da maneira por que é dirigida ali a sua educação.

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