IX Opúsculo Humanitário · Capítulo 9 de 62
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IX

Da mesma sorte que a Inglaterra é o modelo da religião, do comércio e da liberdade, as suas mulheres o são das virtudes domésticas e da nobre altivez de seu sexo. Modernas gregas e romanas na beleza 29 Na mitologia grega, Argos Panoptes, o monstro de cem olhos, tinha como uma de suas incumbências vigiar a amante de Zeus. A autora usa o personagem como uma metáfora da fiscalização da moralidade da mulher. 30 Emílio ou Da educação, obra de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), foi publicada em 1762, tratando da natureza humana e da educação do cidadão. e na severa continência, elas são superiores às primeiras pela morigeração dos seus costumes, e às segundas pela instrução de seu espírito. A educação da mulher inglesa é, como a liberdade política dos ingleses, fundada em sua moral: e assim como a verdadeira base de um governo é a liberdade política, conforme observa o ilustre autor do Espírito das Leis,31 assim também a religião deve ser a base da educação da mulher. O povo inglês compreendeu, e mais que nenhum outro demonstra praticamente, esta verdade; daí a causa primária das vantagens de sua educação sobre a dos outros povos. A maior parte de suas grandes escritoras têm feito sobressair em suas obras a moral dessa religião inoculada em sua alma; deste número são, entre outras, Mrs. Inchbald, cuja conduta honrosa, em uma profissão rodeada de perigos, dá uma nova autoridade a seus escritos, e os torna recomendáveis. Miss Maria Edgeworth, cujo grande mérito consiste em sua moral doce e agradável. “É impossível ler, diz um crítico da Revista d’Edimburgo, dez páginas de seus escritos, sem se ficar persuadido de que eles tendem a tornar melhor, e não só a corrigir fatais erros, prejuízos funestos à felicidade, mas ainda a inculcar a virtude e a bondade, apresentando-as sob os mais persuasivos e familiares aspectos”. Miss Jane Austin, de uma intenção moral menos elevada talvez, porém mais eficaz que a de Miss Edgeworth: a profunda delicadeza de sentimentos desta escritora é o predicado ordinário das mulheres. Mrs. Elizabeth Hamilton 35, que foi a primeira a pintar justa e vivamente a vida das classes baixas da Escócia. E Mrs. Hannah More, que continua a classe notável de moralistas femininos. Aos 17 anos era ela já autora, e sua principal obra – Coelebs em busca de uma esposa – mostra as disposições, os costumes, os princípios que podem assegurar a felicidade doméstica. 31 O espírito das leis, obra de Charles-Louis de Secondat, o barão de Montesquieu (1689-1755), foi publicada em 1748, na qual o autor desenvolve sua teoria política. 32 Elizabeth Inchbald (1753-1821), romancista, atriz e dramaturga inglesa. 33 Maria Edgeworth (1768-1849), escritora anglo-irlandesa. 34 Jane Austen (1775-1817), famosa escritora inglesa. É autora de “Razão e sensibilidade” e “Orgulho e preconceito”, entre tantas outras obras. 35 Elizabeth Hamilton (1756-1816), escritora inglesa. 36 Hannah More (1745-1833), escritora de livros morais e religiosos da Inglaterra.

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