XIII Opúsculo Humanitário · Capítulo 13 de 62
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XIII

Se considerarmos agora as mulheres da França sob o ponto de vista filantrópico, vê-las-emos derramando cada dia nas classes desvalidas o bálsamo salutar da beneficência. 56 Nísia está falando de Mme. de Staël, que, tendo incomodado Napoleão Bonaparte por seu pensamento e oposição, foi proibida de entrar em Paris em 1803, só lá retornando em 1814, com a queda do Imperador. 57 A autora refere-se a Jacques Necker, pai de Mme. de Staël. A caridade, essa virtude sublime, que nunca é tão devidamente exercida como pela mão da mulher, tem no coração da francesa um templo, onde ela lhe queima o mais puro incenso. Prescindindo dos inúmeros exemplos, que incessantemente apresentam desta verdade as associações femininas de beneficência, bastar-nos-á indicar as dignas irmãs de S. Vicente de Paula. Quem tem mais justos títulos à estima e veneração da sociedade do que essas admiráveis mulheres, de uma abnegação verdadeiramente cristã, separando-se de suas famílias, no centro das quais grande parte de entre elas gozava de todas as vantagens de uma vida cômoda e deliciosa, para dedicarem-se aos mais laboriosos e rudes trabalhos, socorrendo a humanidade sofredora?! Quem jamais, possuindo um coração sensível e a consciência do bem, viu essas sublimes mulheres, em rigorosa simplicidade, correrem de um a outro lado de Paris, ainda nos dias mais nervosos, em noites mais tenebrosas, nas ocasiões mais difíceis, em que a cólera dos povos reaparece vomitando a morte e a desolação, para acudirem aqui e ali aos infelizes que reclamam seus cuidados; ou deixarem a pátria e a comunicabilidade com aqueles que falam o seu idioma, para voar também a países longínquos, alguns mesmo selvagens, com o único fim de serem úteis ao seu semelhante?! Quem jamais, dizemos, viu com tanta dedicação à verdadeira prática dos preceitos do Homem Deus, que não sentisse o desejo de ajoelhar-se perante essas virgens modelos, e adorá-las? Talvez um sorriso de motejo roce lábios ímpios de alguns dos que lerem a última linha que deixamos escrita! Mas até quando a sociedade será de tal modo organizada que os homens espalhem flores aos pés e arrastem os carros das cantoras e dançarinas, para significar os seus triunfos, e deem um sorriso ou apenas uma fraca aprovação à virtude em toda a beleza de sua simplicidade?! As irmãs da caridade, mulheres, pela maior parte, de uma grande instrução, bastariam para impor silêncio aos que pretendem (mes Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, fundada no século XVII por São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, na França. mo em França, no seio de sua sociedade ilustrada), que a instrução da mulher é mais prejudicial que útil! Jamais a instrução da mulher pode ser prejudicial, quando tem por base uma bem dirigida educação. E se esta regra apresenta exceção, como naturalmente deve, é ela tão diminuta que escapa à generalidade. Apesar do apreço em que temos às mulheres das três últimas nações em que tão de passagem falamos, reconhecemos, todavia, que muito tem ainda a sociedade que fazer para que cheguem ao aperfeiçoamento da educação, ali mesmo onde ela tão altamente sobressai à que recebem as mulheres dos outros países. Assim, compartindo de coração as ideias a respeito da mulher do progressista e eloquente Júlio Michelet, concluiremos a nossa ligeira análise sobre elas citando uma de suas reflexões, que traz o selo do vivo entusiasmo de sua alma, impregnada do electrismo de uma convicção a que se não pode resistir, quando uma vez se ouve a sua voz: “Philosophes, physiologistes, économistes, hommes d’Etat, nous savons tous que l’excellence de la race, la force du peuple, tient surtout au sort de la femme.61 “Etre aimée, enfanter, puis enfanter moralement, élever l’homme, (ce temps barbare ne l’entend pas bien encore); voilá l’affaire de la femme.62 “Fons omnium viventium! Qu’est-ce qu’on ajoutèra à cette grande parole?...”63

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