XIV
Passemos à América, essa poderosa rainha que se apresenta por último no palco da civilização, grandiosamente ataviada de todos os ricos dons da natureza e pulsando-lhe no peito um coração superabundante de nobres e virginais sentimentos. 59 Jules Michelet (1798-1874), filósofo e historiador francês. 60 Electrismo: /no sentido figurado/ animação, exaltação, entusiasmo. 61 “Filósofos, fisiologistas, economistas, estadistas, todos sabemos que a excelência da raça, a força do povo, mantém-se especialmente no destino da mulher.” 62 “Ser amada, dar à luz, depois dar à luz moralmente, elevar o homem (este tempo bárbaro não o entende bem ainda); eis o caso da mulher. ”
63 “A fonte de toda a vida! O que será adicionado a esta grande palavra?...” Os naturais dos Estados Unidos, que com nobre orgulho arrogam-se o nome exclusivo de Americanos, por serem os únicos de todo este vasto continente que tem até hoje sabido devidamente compreender a grande missão a que está destinada esta parte do mundo, dão à mulher uma situação intermédia, na qual ela goza das vantagens da educação que herdou da metrópole, sem imitar os costumes aristocráticos da Europa. Os prejuízos e afetação do bom tom das velhas sociedades não têm podido ainda conseguir inocular-se no seu espírito eminentemente positivo. Como tudo o que é novo e vigoroso, de uma origem boa e fecunda, o espírito anglo-americano tende a desenvolver as qualidades que lhe são inatas, em ordem a obter a realização das altas concepções do gênio europeu. Mas permanecendo fiéis aos sábios princípios do imortal Washington, os filhos da União distinguem-se de todos os povos civilizados, na preferência que sabem dar a tudo o que tem o cunho da verdade e do útil. A fórmula não tem ainda um culto entre esse grande povo, e o que alguns franceses lhe notam de rigidez de princípios, levada às vezes até à grosseria, não é mais que a expressão da simplicidade e franqueza que constituem o caráter deste povo livre e independente. Grande diferença há entre a polidez dos Franceses e a sequidão de maneiras que, em geral, conservam os Americanos de seus antepassados. Todos sabem que quanto mais ociosa é uma nação, tanto maior é o espírito de galanteio que a domina: os importantes trabalhos que ocupam os Americanos do Norte não lhes deixam tempo para a polidez dos Franceses. Assim, levam eles o amor do útil a tal ponto que, sendo a sua nação uma das que possuem maior número de escolas primárias e secundárias, de sociedades científicas e literárias, aprofundam somente as ciências de que podem tirar resultados aplicáveis ao engrandecimento do seu país.