A um artista
A meu irmão, Júlio César da Silva Mergulha o teu olhar de fino colorista No azul; medita um pouco, e escreve; um nada quase: Um trecho só de prosa, uma estrofe, uma frase Que patenteie a mão de um requintado artista. Escreve! Molha a pena, o leve estilo enrista! Pinta um canto de céu, uma nuvem de gaze Solta, brilhante ao sol; e que a alma se te vase Na cópia dessa luz que nos deslumbra a vista. Escreve! ... Um céu ostenta o matiz da celagem Onde erra o sol, moroso, entre vapores brancos, Irisando, ao de leve, o verde da paisagem... Uma ave banha ao sol o esplendido plumacho... Num recanto de bosque, a lamber os barrancos, Espumeja em cachões uma cachoeira em baixo...