Os argonautas
A Carlos Coelho Mar fora, ei-los que vão cheios de ardor insano. Os astros e o luar – amigas sentinelas – Lançam bênçãos de cima às largas caravelas Que rasgam fortemente a vastidão do oceano. Ei-los que vão buscar noutras paragens belas Infindos cabedais de algum tesouro arcano... E o vento austral que passa em cóleras, ufano, Faz palpitar o bojo às retesadas velas. Novos céus querem ver, miríficas belezas; Querem também possuir tesouros e riquezas Como essas naus que têm galhardetes e mastros... Ateiam-lhes a febre essas minas supostas... E, olhos fitos no vácuo, imploram, de mãos postas, A áurea benção dos céus e a proteção dos astros...