Balada — Mudez Mármores · Capítulo 36 de 45
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Balada — Mudez

Já rumores não há; não há; calou-se Tudo. Um silêncio deleitoso e morno Vai-se espalhando em torno Às folhagens tranquilas do pomar. Torna-se o vento cada vez mais doce... Silêncio.... Ouve-se apenas o gemido De um pequenino pássaro perdido Que inda espaneja as suas asas no ar. Ouve-me, amiga, este é o Silêncio, o grande Silêncio, o rei das trevas e da calma, Em que a nossa triste alma, Penetrada de mágoas e de dor, Se dilata, se expande, E seus segredos íntimos mergulha... Prolonga-se a mudez: nenhuma bulha; Já se não ouve o mínimo rumor. Esta é a mudez, esta é a mudez que fala (Não aos ouvidos, não, porque os ouvidos Não conseguem ouvir esses gemidos Que ela derrama, à noite, sobre nós) À alma de quem se embala Numa saudade mística e tranquila ... Nossa alma apenas é que pode ouvi-la, E que consegue perceber-lhe a voz. Escuta a queixa tácita e celeste Que este silêncio fala a ti, tão triste... E hás de lembrar o dia em que tu viste Perto de ti, pela primeira vez, Alguém a quem disseste Uma frase de amor, de amor... ó louca! E que, no entanto, só mostrou na boca A mais brutal e irônica mudez!

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