Vênus
A Vitor Silva Branca e hercúlea, de pé, num bloco de Carrara, Que lhe serve de trono, a formosa escultura, Vênus, túmido o colo, em severa postura, Com seus olhos de pedra o mundo inteiro encara. Um sopro, um quê de vida o gênio lhe insuflara; E impassível, de pé, mostra em toda a brancura, Desde as linhas da face ao talhe da cintura, A majestade real de uma beleza rara. Vendo-a nessa postura e nesse nobre entono De minerva marcial que pelo gládio arranca, Julgo vê-la descer lentamente do trono. É, na mesma atitude a que a insolência a obriga, Postar-se à minha frente, impassível e branca, Na régia perfeição da formosura antiga.