Balada — Inconsoláveis
Almas, por que chorais, se ninguém vos responde? Almas, por quê? Deixai as lágrimas! Empós Do ideal correi, correi a longes plagas, onde Não exista ninguém que escarneça de vós. Lançai o vosso olhar a longínquas paragens, Bem distantes daqui, cheias de ideais risonhos, Onde as aves do amor, sacudindo as plumagens, Passem cantando ao longe a música dos sonhos... A longes plagas onde estas misérias todas Não consigam deixar o mínimo sinal; Paragens onde, em meio às delirantes bodas Dos sonhos e do amor, exulte e cante o Ideal... Mas não, almas! Soltai a vossa queixa triste; Contai ao mundo inteiro a vossa mágoa justa; Essa terra de ideal, ó almas, não existe; Inventei-a somente, e inventá-la não custa. Pobres almas, lançai em torno a vossa vista: Sempre haveis de encontrar essa miséria atroz. Almas, chorai, que embora esse país exista, Nele há de haver alguém que escarneça de vós.