Balada — Laura Mármores · Capítulo 38 de 45
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Balada — Laura

Esta é a Laura, a riquíssima princesa De negros olhos, elegante e bela, A cujas plantas a áulica nobreza Se roja, apenas a um sorriso dela. Rosa de estranha e sensual fragrância, Nascida em pobre e humílimo canteiro, Em todos os certames da Elegância Sempre conquista o galardão primeiro. O seu esposo é um príncipe normando, Louro e de face turgida e vermelha, Em cujo olhar enérgico se espelha A arrogância do orgulho e áspero mando. Há tempos, Laura era a menina honesta, Toda aos prazeres deste mundo alheia, Que passava o viver nessa modesta Vida tediosa e símplice de aldeia. E quanta vez, à noite, a sós consigo, Não fez correr as lágrimas no rosto, Sem nunca achar em coração amigo Que se doesse também com o seu desgosto! Mas, um dia, a fortuna entrou-lhe à porta; E, olhando derredor, vendo-a sozinha, Com esse timbre de voz que a alma conforta, “Laura, disse, levanta-te e caminha! ” E conduziu-a, pela mão, ao grande Mundo do luxo pródigo e faustoso, Onde, farta e soberba, a alma se expande, Cheia do tédio mórbido do gozo. Hoje é a Laura, a riquíssima princesa De negros olhos, elegante e bela, A cujas plantas a áulica nobreza Se roja, apenas a um sorriso dela.

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