À noite Mármores · Capítulo 19 de 45
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À noite

Eis-me a pensar, enquanto a noite envolve a terra; Olhos fitos no vácuo, a amiga pena em pouso, Eis-me, pois, a pensar.... De antro em antro, de serra Em serra, ecoa, longo, um réquiem doloroso. No alto da estrela triste as pálpebras descerra, Lançando, noite a dentro, o claro olhar piedoso. A alma das sombras dorme; e pelos ares erra Um mórbido langor de calma e de repouso... Em noite escura assim, de repouso e de calma, É que a alma vive e a dor exulta, ambas unidas, A alma cheia de dor, a dor tão cheia de alma... É que a alma se abandona ao sabor dos enganos, Antegozando já quimeras pressentidas Que, mais tarde, hão de vir com o decorrer dos anos.

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