Balada — Egito
No ar pesado, nenhum rumor, o menor grito; Nem no chão calvo e seco o mais pequeno adorno; Um velho ibe19 somente arranca um raro piorno Que cresce pelos vãos das lajes de granito. A aura branda, que vem do deserto infinito, Arrepia, ao de leve, a água do Nilo, em torno. Corre o Nilo, a gemer, sob um calor de forno Que, em ondas, desce do alto e invade todo o Egito. Destacando na luz, agora, o vulto absorto De um adelo que passa, em caminho da feira, Dá mais um tom de mágoa ao vasto quadro morto. Bate na areia o sol. E, num sonho tranquilo, Pompeia, ao largo, a alvura uma barca veleira, A tremer, a tremer sobre as águas do Nilo.