Lieder de Goethe — La prude
Deliciosa manhã de primavera doura Os campos. Ainda dorme o sol. Mas a pastora, Descuidosa, passeia, enfeitadinha já. Quem a vê, a maciez das faces lhe namora. E ela cantando vai pelos campos em fora: Trá, la, lá! Trá,lá, lá! Por um beijo um pastor oferta-lhe uma ovelha, Duas, quantas quiser... E ela fica vermelha De raiva, bate o pé... Tão formosa e tão má! Encara-o com desprezo; e depois, apressando Os passos, segue adiante, alígera, cantando: Trá, lá, lá! Trá, lá, lá! Um pastor lhe oferece o coração a ela; Fitas outro pastor lhe oferta; mas a bela Pastorinha gentil, enfastiada já, Ri de ambos, como riu das ovelhinhas brancas Do primeiro. E prossegue, entre risadas francas, Trá, lá, lá! Trá, lá, lá!