A um poeta Mármores · Capítulo 18 de 45
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A um poeta

Poeta, quando te leio, a angústia dolorida Que te mina a existência e que em teu peito impera, Faz-me também sofrer, d’alma se me apodera, Como se da minh’alma ela fosse nascida. Sinto o que sentes: ora a lágrima sincera Que foi pela saudade ou pelo amor vertida, Ora a mágoa que habita em tua alma, – guarida Onde a negra legião das mágoas se aglomera. Não há nos versos teus um sentimento alheio A esse teu coração macerado de fráguas; Há neles ora o suave e módulo gorjeio Das aves, ora a queixa harmônica das águas... Leio os teus versos; e, em minh’alma, quando os leio, Vai gemendo, em surdina, a música das mágoas...

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