Balada — Musa impassível
Ó Musa, cujo olhar de pedra, que não chora, Gela o sorriso ao lábio e as lágrimas estanca! Dá-me que eu vá contigo, em liberdade franca, Por esse grande espaço onde o Impassível mora. Leva-me longe, ó Musa impassível e branca! Longe, acima do mundo, imensidade em fora, Onde, chamas lançando ao cortejo da aurora, O áureo plaustro do sol nas nuvens solavanca. Transporta-me, de vez, numa ascensão ardente, À deliciosa paz dos Olímpicos Lares, Onde os deuses pagãos vivem eternamente, E onde, num longo olhar, eu possa ver contigo, Passarem, através das brumas seculares, Os Poetas e os Heróis do grande mundo antigo.