Universo da obra
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Em Santa Catarina foi curta a demora do navio, e os três viajantes não baixaram à terra.
Os dois rapazes viam com prazer aproximar-se o termo da viagem, já fatigados de tanto movimento e de tantas mudanças; já não achavam encanto no que viam: só desejavam chegar, achar o aconchego da família, descansar o corpo e repousar o espírito e o coração no seio daqueles que os esperavam no Rio Grande do Sul.
Assim não lhes deu grande pesar a impossibilidade de visitar Florianópolis, a antiga Desterro, edificada na ilha de Santa Catarina, separada do continente pelo Estreito.
— Aqui, em Santa Catarina, nasceu uma grande brasileira, grande pelo seu nobre coração, pelo seu valor, e pela ternura e dedicação com que associou a sua vida à vida de um herói! — disse Rogério.
— Quem foi? — perguntou logo Alfredo.
— Anita Garibaldi, mulher do famoso cabo de guerra italiano, que além de entrar nas campanhas da unificação da Itália, também no Brasil serviu a causa da liberdade, tomando parte na revolução dos Farrapos.
— É bonita Florianópolis?
— É. Muito quieta e pitoresca. Possui lindo jardins.
Nesse momento embarcava uma família de alemães, com destino ao Rio Grande. Eram oito pessoas: pai e mãe, e seis filhos. Gente corada e forte, sadia e alegre.
— Estão vendo? — disse Rogério — o Estado de Santa Catarina tem hoje uma densa população alemã. E não só Santa Catarina, como o Paraná e o Rio Grande do Sul... Os alemães preferem para estabelecer-se o sul do Brasil, cujo clima é muito semelhante ao da Europa. Aqui há muitos... algumas cidades do Estado, como por exemplo Blumenau, são quase exclusivamente habitadas por eles e pelos seus descendentes, já brasileiros, mas ainda conservando o tipo germânico.
Quando o vapor saiu do porto, a tarde declinava. O céu tingia-se de uma cor de rosa desmaiada, com estrias de ouro pálido; e uma funda melancolia se espalhava pela face das águas calmas.
O Santos acelerou a marcha. Carlos e Alfredo, à popa, olhando o litoral que se afastava, deixavam dominar pela tristeza da hora e da paisagem.
De repente, Carlos rompeu o silêncio:
— E Juvêncio?...
Alfredo replicou, com a voz trêmula de comoção:
— É verdade! Que será feito dele? Que estará fazendo a esta hora?
Leia gratuitamente Através do Brasil, de Olavo Bilac e Manoel Bomfim, narrativa escolar brasileira em domínio público. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 83 unidades em capítulos, capa nova no padrão Literunico, fonte Wikisource validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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