Universo da obra
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— O nome de Minas, dado a esta parte do Brasil — disse então Carlos a Alfredo — vem da abundância de minas de ouro e diamantes que há no seu solo.
— E há muito ouro? — perguntou Alfredo.
Neste ponto da conversa, um homem de certa idade, que viajava no mesmo carro, interveio, com bondade:
— Satisfaz-me muito a curiosidade com que procuram informar-se destas cousas. Venho há muito tempo ouvindo a sua conversa, e acho muito louvável o desejo que mostram de conhecer a vida do seu país. Sou engenheiro de minas e já trabalhei muito em mineração. Em Minas há muito ouro, muito diamante, e também muito ferro que ainda é mais útil.
— E a extração do ouro é difícil? — perguntou Carlos.
— Não é difícil, mas é muito dispendiosa. É verdade que se encontra ouro à flor da terra; mas as maiores quantidades jazem no fundo das minas, misturadas com outras substâncias nas rochas, que é preciso quebrar, triturar e lavar, por meio de muitos maquinismos complicados.
— E toda a gente pode apanhar ouro? — interrogou Alfredo.
— Sim — explicou o engenheiro — toda a gente pode apanhar o ouro que aparece à flor da terra, no leito dos riachos e córregos, e muitas pessoas vivem dessa indústria. Apanham a areia dos córregos, deitam-na com água na bateia, e passam muito tempo a agitá-la, renovando a água de tempo em tempo. A bateia é uma espécie de alguidar de madeira. Com o movimento e a lavagem, o ouro pouco a pouco se vai separando da areia e depositando-se no fundo do alguidar. Mas a quantidade do precioso metal recolhido por esse processo é sempre insignificante. A grande exploração faz-se nas minas, que pertencem a companhias, dispondo de grandes capitais.
— Que bonita deve ser uma mina de ouro! — exclamou o pequeno Alfredo. — Aquilo até deve fazer mal à vista!
O engenheiro sorriu, e desenganou o menino:
— Qual! É essa a idéia que muita gente faz de uma mina de ouro; mas não há idéia mais falsa. O ouro não aparece, porque está misturado com as substâncias que constituem a rocha. Uma das minas mais importantes é a do Morro Velho, no arraial de Congonhas de Sabará. Mais de 1200 homens trabalham aí. Para ir ao fundo da mina, segue-se primeiro a pé, por uma galeria horizontal, e depois entra-se em um grande cesto, chamado caçamba, que lentamente, por meio de um jogo de rodagens e cabos de aço, leva o visitante a uma profundidade de mais de duzentas braças.
— E como é que se faz o trabalho?
— Os operários despedaçam a rocha por meio da dinamite, e trazem para cima os blocos de pedra, que são triturados e reduzidos a pó, por imenso pilões hidráulicos; depois o pó é muitas vezes lavado, e submetido a vários processos químicos, até que deles se extrai o ouro puro.
— E os diamantes? O senhor já viu como se extraem?
— Já. Já estive no Jequitinhonha, que é um dos maiores rios de Minas, e onde se têm achado muitos diamantes. Os exploradores cercam um certo pedaço de rio, isto é: desviam desse trecho as águas, por meio de processos que não vale agora a pena descrever, e descobrem o leito. Então cateiam, isto é: tiram a camada inútil de terras e areias, e encontram o cascalho miúdo, onde se acha, às vezes, o diamante bruto. Esse é o processo rudimentar. Mas em Minas e em Mato Grosso já há explorações de processo moderno, sendo as jazidas revolvidas por meio de possantes dragas.
Leia gratuitamente Através do Brasil, de Olavo Bilac e Manoel Bomfim, narrativa escolar brasileira em domínio público. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 83 unidades em capítulos, capa nova no padrão Literunico, fonte Wikisource validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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