Universo da obra
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No outro dia, cedo, depois de abraçar o dono da casa, o Júlio e o carreiro, os nossos três viajantes puseram-se de novo em marcha. Estavam dispostos a avançar o mais possível, ansiosos por chegar a Vila Nova quanto antes. Não tinham já um vintém de seu; e a matalotagem que levavam só podia bastar para dois dias...
Às nove horas pararam, para descansar, numa encruzilhada do caminho. Aproximou-se uma tropa, carregada de couros, também com destino a Vila Nova. Juvêncio entrou logo em conversa com os tropeiros. Eram dois. Queixaram-se da falta que lhes fazia um companheiro, que fora forçado a ficar em caminho. Juvêncio ofereceu-se logo para substituí-lo, dizendo pronto a ajudar a condução dos animais. Carlos ofereceu-se também. Os tropeiros aceitaram a proposta de ambos, com uma condição: os dois rapazes receberiam, além da alimentação, quinhentos réis por dia.
Seguiram. A tropa era grande — doze animais, que foram repartidos em dois lotes, ficando cada um deles a cargo de um dos tropeiros, ajudado por um dos rapazes. Alfredo continuou a caminhar ao lado do irmão; mas o tropeiro condoeu-se dele, e autorizou-o a montar um dos burros da tropa. Foi uma fortuna para o menino, que, sem fadiga, pôde assim suportar as quatro léguas que a caravana percorreu nesse dia.
No dia seguinte, venceram facilmente mais cinco léguas. Os viajantes conversavam, para “matar o tempo”. Os tropeiros falavam da sua vida trabalhosa, mas não se mostravam descontentes: o trabalho dava bom lucro, — mais do que muitos outros, sobrecarregados de dificuldades e de impostos.
Ao anoitecer do segundo dia de viagem, chegaram a uma fazenda de criação. Aí devia parar a tropa. Juvêncio e Carlos receberam o seu salário, correspondente a dois dias de trabalho.
À vista daquele dinheiro, — era o primeiro que ganhavam! — ficaram contentíssimos. E pensaram logo em obter qualquer trabalho naquela grande fazenda, para arranjar mais dinheiro, com que pudessem fazer face às despesas do resto da viagem. Os tropeiros recomendaram-nos ao fazendeiro, que justamente estava começando a colheita do algodão, e precisava de trabalhadores. Ficou combinado que Carlos e Juvêncio ajudariam a colheita e ganhariam na proporção do que colhessem. Os dois rapazes atiraram-se ao serviço com um ardor extraordinário. Nas horas de menos forte calor, também Alfredo os auxiliava — muito orgulhoso por dizer que também era capaz de trabalhar. O certo é que colhiam cada dia, tanto quanto os outros trabalhadores, que eram homens adultos e robustos. Até o fazendeiro estava admirado.
Leia gratuitamente Através do Brasil, de Olavo Bilac e Manoel Bomfim, narrativa escolar brasileira em domínio público. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 83 unidades em capítulos, capa nova no padrão Literunico, fonte Wikisource validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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