Tem noites que tem gosto de lágrimas
entre as xícaras de café bem amargo o
tempo comprimido e expresso com as
imagens que flutuam sem muitas cores
uma canção derradeira e assim triste o
bafo do pós crepúsculo viaja na boca
a ejaculação precoce da nua lua nova
são marcas e patentes mentes urbanas
carimbando estes seres abandonados
de rostos molhados de humano e sal
tem noites que por vezes duram séculos
Edu Liguori
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EDU LIGUORI
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RAFAEL ARAUJO
Uma metade poeta
outra escuridão
uma enxerga
outra adormece
daqui ele vê o outro
dali ele não é visto
entre os sonhos
e as dúvidas
busca a luz
das letras em versos
e tem fé na composição
Edu Liguori
outra escuridão
uma enxerga
outra adormece
daqui ele vê o outro
dali ele não é visto
entre os sonhos
e as dúvidas
busca a luz
das letras em versos
e tem fé na composição
Edu Liguori
Ando assim meio distraído
sem chão sem teto sem ar
penso que não existo sim
não estou nem vou ficar
as vezes cego ou atraído
me movo e aproximo do fim
sou mariposa libélula cupim
na água fria azul da piscina
sigo a sina perdido o azar
rima confusa difusa a rimar
Edu Liguori
sem chão sem teto sem ar
penso que não existo sim
não estou nem vou ficar
as vezes cego ou atraído
me movo e aproximo do fim
sou mariposa libélula cupim
na água fria azul da piscina
sigo a sina perdido o azar
rima confusa difusa a rimar
Edu Liguori
Vivi tantas loucas nuas viagens
em todas elas você foi vertigem
sonhei mil e uma dunas de areia
que o vento levou pelas semanas
gozei as palmeiras e suas sombras
bebi a água dos beijos imaginários
construí tendas de cotidiano e lar
acreditei no que nunca conquistei
dentre todas as fantasias que vesti
esta virou tatuagem por usucapião
Edu Liguori
em todas elas você foi vertigem
sonhei mil e uma dunas de areia
que o vento levou pelas semanas
gozei as palmeiras e suas sombras
bebi a água dos beijos imaginários
construí tendas de cotidiano e lar
acreditei no que nunca conquistei
dentre todas as fantasias que vesti
esta virou tatuagem por usucapião
Edu Liguori
Vinha pela esquina quando avistei seu largo sorriso
os dentes brancos preenchiam a boca mais perfeita
esses lábios que se assemelham a um farol em um rocha
iluminam e atraem dexando a navegação mais segura
me aproximei como quem chega assim todos os dias
gosto de tentar parecer calmo mesmo quando deliro
por dentro ele batia com vigor e fúria pois era ela
e quando ela sorri ele se inflama e transmite tudo
ela se levantou e nos abraçamos apenas brevemente
absolutamente contra minha vontade de viver ali
me sentei e firmei meus olhos em sua pele canela
podia sentir o calor e aroma entre seus poros e pelos
os olhos morenos tinham aquele brilho do conforto
deste jeito ela me recebe como quem tem um presente
falamos rimos bebemos comemos rimos e falamos
num momento consigo tocar suas mãos e emociono
mas disfarço bem e sigo a romaria amiga e discreta
dentre todas as coisas que prometi cumpro a risca
juramentos internos coisas de homem de verdade
depois das cerimônias vamos caminhar pela orla
tento tocar seus ombros ela se incomoda e venta
uma brisa que pode conter tudo ou nada demais
sobre a areia os pés buscam contato com o núcleo
silêncio respiros suspiros e na chinela logo voltamos
existe uma tensão um desencontro que não é ruim
uma pergunta que ainda não encontrou sua resposta
talvez nunca a encontre ou seja bem solucionada
talvez será mais um capítulo de um longo livro novo
talvez aquela estrofe de um poema que ninguém leu
não se sabe se é um lance ou se é eterno como as flores
Edu Liguori
os dentes brancos preenchiam a boca mais perfeita
esses lábios que se assemelham a um farol em um rocha
iluminam e atraem dexando a navegação mais segura
me aproximei como quem chega assim todos os dias
gosto de tentar parecer calmo mesmo quando deliro
por dentro ele batia com vigor e fúria pois era ela
e quando ela sorri ele se inflama e transmite tudo
ela se levantou e nos abraçamos apenas brevemente
absolutamente contra minha vontade de viver ali
me sentei e firmei meus olhos em sua pele canela
podia sentir o calor e aroma entre seus poros e pelos
os olhos morenos tinham aquele brilho do conforto
deste jeito ela me recebe como quem tem um presente
falamos rimos bebemos comemos rimos e falamos
num momento consigo tocar suas mãos e emociono
mas disfarço bem e sigo a romaria amiga e discreta
dentre todas as coisas que prometi cumpro a risca
juramentos internos coisas de homem de verdade
depois das cerimônias vamos caminhar pela orla
tento tocar seus ombros ela se incomoda e venta
uma brisa que pode conter tudo ou nada demais
sobre a areia os pés buscam contato com o núcleo
silêncio respiros suspiros e na chinela logo voltamos
existe uma tensão um desencontro que não é ruim
uma pergunta que ainda não encontrou sua resposta
talvez nunca a encontre ou seja bem solucionada
talvez será mais um capítulo de um longo livro novo
talvez aquela estrofe de um poema que ninguém leu
não se sabe se é um lance ou se é eterno como as flores
Edu Liguori
Por que eu louco
me encanto pelas doidivanas
aventuras do tempo e do amor
por que os poetas são assim
novelos de fios desencapados
bisturis afiados
em busca de lábios carmim
ah que loucura e dor
passar todas as incontáveis semanas
rouco
louco em busca do amor
Edu Liguori
me encanto pelas doidivanas
aventuras do tempo e do amor
por que os poetas são assim
novelos de fios desencapados
bisturis afiados
em busca de lábios carmim
ah que loucura e dor
passar todas as incontáveis semanas
rouco
louco em busca do amor
Edu Liguori
Vou me embora daqui
vou para Pasárgada
ou qualquer outro lugar
me perder ou esquecer
vou me levar pro mundo
vestindo apenas um abadá
uma pena na mão e o coração
vou me enganar consciente
de que sou apenas aquele poeta
que vive nas areias e ri contente
contando conchas e ondas do mar
Edu Liguori
vou para Pasárgada
ou qualquer outro lugar
me perder ou esquecer
vou me levar pro mundo
vestindo apenas um abadá
uma pena na mão e o coração
vou me enganar consciente
de que sou apenas aquele poeta
que vive nas areias e ri contente
contando conchas e ondas do mar
Edu Liguori
Fico procurando as palavras
que no fundo do cesto de palha
formam todas as dúvidas terrenas
entre a alquimia ilusória e misteriosa
vagam seres desconhecidos úmidos
vagalumes fadas e libélulas marrons
ouro prata cobre e alumínio impuro
elementos e medos muito escuros
todas as correntes e ventos do sul
o novelo da lã branca que se perde
entre as agulhas do universo que tece
nosso certo destino teimoso e mudo
Edu Liguori
que no fundo do cesto de palha
formam todas as dúvidas terrenas
entre a alquimia ilusória e misteriosa
vagam seres desconhecidos úmidos
vagalumes fadas e libélulas marrons
ouro prata cobre e alumínio impuro
elementos e medos muito escuros
todas as correntes e ventos do sul
o novelo da lã branca que se perde
entre as agulhas do universo que tece
nosso certo destino teimoso e mudo
Edu Liguori
Vim da água
como todos os vivos
senti o gosto da terra
como todos os mortos
ardi no fogo
como todas as paixões
me perdi pelo ar
como quem um dia
ousou amar
Edu Liguori
como todos os vivos
senti o gosto da terra
como todos os mortos
ardi no fogo
como todas as paixões
me perdi pelo ar
como quem um dia
ousou amar
Edu Liguori
Não há poema que explique
aquilo que se negou a ser
o mistério a dúvida o vazio
não houve não foi não deu
até o último dia fica o registro
aqueles dois não se tocaram
não dançaram não se viram
esse tango silencioso ninguém viu
Edu Liguori
aquilo que se negou a ser
o mistério a dúvida o vazio
não houve não foi não deu
até o último dia fica o registro
aqueles dois não se tocaram
não dançaram não se viram
esse tango silencioso ninguém viu
Edu Liguori