Senti no ar um cheiro de canela
era ela
o aroma que vinha da orla
a brisa contínua
e as ondas em seus cabelos negros
Jorge não veio o Amado
não era Gabriela
era ela
uma música em minha retina
a pele
o perfume
era ela
aquela que servia sorriso
e cuscuz
não me preocupo com o tempo
não tenho nada para pensar
só lembrar
era ela
Edu Liguori
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RAFAEL ARAUJO
Insuportavelmente perfeita
de um grão de areia
uma parábola
insuportavelmente deliciosa
de um oceano
uma concha
insuportavelmente distante
a joia
adornava o mais indelével
pescoço
com a pérola
mais linda que já vi
Edu Liguori
de um grão de areia
uma parábola
insuportavelmente deliciosa
de um oceano
uma concha
insuportavelmente distante
a joia
adornava o mais indelével
pescoço
com a pérola
mais linda que já vi
Edu Liguori
É definitivo que amo tanto a ti
como amo a este que aqui escreve
e portanto de ti não mais preciso
a ver que só com a tinta sou feliz
pois amo o poeta que se fez em mim
é virtude permanente que nasceu
hoje sou teu e também sou meu
amanhã assim contente permanece
pois nada em mim um momento esquece
o que já se provou e já se viveu
se por ventura houver comunhão
teus caminhos cruzarem minha volta
não permitirá tristeza nem mata-borrão
apagar a construção deste amor sem fim
que ausente em corpo e tatuado em alma
sobreviveu calado por tantas horas
mas possa enfim iniciar outra história
se sou tão eu aqui a sonhar sorrindo
imagina-te unidos o que seria bem vindo
se vens cravos vermelhos no jardim
se ficas flores brancas de jasmim
não importa quem se importa
um poema é sempre assim
definitivo em sua declamada glória
no esplendor de um único amor
que se realiza em carne e gozo
ou em fantasias que constrói
felicidades amada
onde quer que você vá
por fim repito que te quero
sempre livre a escolher
entre cravos e jasmim
Edu Liguori
como amo a este que aqui escreve
e portanto de ti não mais preciso
a ver que só com a tinta sou feliz
pois amo o poeta que se fez em mim
é virtude permanente que nasceu
hoje sou teu e também sou meu
amanhã assim contente permanece
pois nada em mim um momento esquece
o que já se provou e já se viveu
se por ventura houver comunhão
teus caminhos cruzarem minha volta
não permitirá tristeza nem mata-borrão
apagar a construção deste amor sem fim
que ausente em corpo e tatuado em alma
sobreviveu calado por tantas horas
mas possa enfim iniciar outra história
se sou tão eu aqui a sonhar sorrindo
imagina-te unidos o que seria bem vindo
se vens cravos vermelhos no jardim
se ficas flores brancas de jasmim
não importa quem se importa
um poema é sempre assim
definitivo em sua declamada glória
no esplendor de um único amor
que se realiza em carne e gozo
ou em fantasias que constrói
felicidades amada
onde quer que você vá
por fim repito que te quero
sempre livre a escolher
entre cravos e jasmim
Edu Liguori
De tão linda se odiava
não acreditava nos homens
mutilava sua beleza e chorava
esquecia seus nomes
Viveu pouco
e intensamente
mas só amou um louco
que a desprezou solenemente
Assim escolheu a morte
doía muito ser a atração
nunca aceitou seus atributos como sorte
sem crer no amor perfurou o próprio coração
Edu Liguori
não acreditava nos homens
mutilava sua beleza e chorava
esquecia seus nomes
Viveu pouco
e intensamente
mas só amou um louco
que a desprezou solenemente
Assim escolheu a morte
doía muito ser a atração
nunca aceitou seus atributos como sorte
sem crer no amor perfurou o próprio coração
Edu Liguori
Sentado em uma pedra
ele mal pode ouvir o som da rebentação
está em outro plano
a espera do amanhã
contou todas suas histórias
mostrou todos os caminhos
na hora da verdade uma pausa
o julgamento e as escolhas
olha para o infinito
tenta ver-se junto dela
sorri por dentro
mas tem medo
o mar tem truques
que mesmo os mais experientes
desconhecem
nunca se sabe o que virá
essa é a mágica do horizonte
mas ali sentado
a espera do amanhã
aguarda o brilho do sol
a brisa que refresca
a cor dos olhos dela
o marfim dos dentes brancos
a maciez de sua boca
um beijo e paz
Edu Liguori
ele mal pode ouvir o som da rebentação
está em outro plano
a espera do amanhã
contou todas suas histórias
mostrou todos os caminhos
na hora da verdade uma pausa
o julgamento e as escolhas
olha para o infinito
tenta ver-se junto dela
sorri por dentro
mas tem medo
o mar tem truques
que mesmo os mais experientes
desconhecem
nunca se sabe o que virá
essa é a mágica do horizonte
mas ali sentado
a espera do amanhã
aguarda o brilho do sol
a brisa que refresca
a cor dos olhos dela
o marfim dos dentes brancos
a maciez de sua boca
um beijo e paz
Edu Liguori
Deste dia que já passou
até o futuro que irá chegar
segue assim emaranhado
com o pensamento a vagar
poeta de carteirinha
romeiro insistente
segue o sonho que não acabou
vive a paixão da musa pequeninha
que o advento um dia lhe achegou
bagunçou, tripudiou, apaixonou
verbos, advérbios e adjetivos
os objetivos que planejou
(e não realizou)
emaranhado entre os ramos
da cerca viva de sentimentos
pensa em esquecer
enlouquecer
se perder
mas sabe se lá
que razão segue o chão
olhos abertos cristais
brilham no escuro
dessa esperança mortal
que alimenta a verve
do poeta que persiste
emaranhado até o final
Edu Liguori
até o futuro que irá chegar
segue assim emaranhado
com o pensamento a vagar
poeta de carteirinha
romeiro insistente
segue o sonho que não acabou
vive a paixão da musa pequeninha
que o advento um dia lhe achegou
bagunçou, tripudiou, apaixonou
verbos, advérbios e adjetivos
os objetivos que planejou
(e não realizou)
emaranhado entre os ramos
da cerca viva de sentimentos
pensa em esquecer
enlouquecer
se perder
mas sabe se lá
que razão segue o chão
olhos abertos cristais
brilham no escuro
dessa esperança mortal
que alimenta a verve
do poeta que persiste
emaranhado até o final
Edu Liguori
Ela sorriu em São João
leu e declamou Pessoa
flor bela pequenina
espanca toda cor
poesia tão menina
cachos de muito amor
mulher coisa boa
pétalas sobre o chão
música e melanina
Seu Pereira o cantor
Paraíba feminina
sim, sim senhor!
Edu Liguori
leu e declamou Pessoa
flor bela pequenina
espanca toda cor
poesia tão menina
cachos de muito amor
mulher coisa boa
pétalas sobre o chão
música e melanina
Seu Pereira o cantor
Paraíba feminina
sim, sim senhor!
Edu Liguori
Escondido atrás de um copo de uísque
tamborilava os dedos nervosamente
'que será será what will be will be'
tentava resolver aquelas dúvidas
sufocar a ansiedade que o cercava
(mais um dia normal na vida dele)
Não há nada mais sincero que o velho uísque
o malte carrega a tinta que alivia as nossas dores
(ou apenas uma aceitável desculpa entre os bêbados)
Que será será
depois que o gelo derreter
que o cigarro acabar
what will be will be
Edu Liguori
tamborilava os dedos nervosamente
'que será será what will be will be'
tentava resolver aquelas dúvidas
sufocar a ansiedade que o cercava
(mais um dia normal na vida dele)
Não há nada mais sincero que o velho uísque
o malte carrega a tinta que alivia as nossas dores
(ou apenas uma aceitável desculpa entre os bêbados)
Que será será
depois que o gelo derreter
que o cigarro acabar
what will be will be
Edu Liguori
Hoje eu estou Saturno
sem dúvida ou sombra
sou épico e soberbo
gramático e astuto
tenho em mim todos
os voos do mundo
e aterrizo no teu colo
teu Apolo
sorria com teus dentes
de estrela
viva com tua sorte
de Vênus
hoje eu tenho anéis
sem medo
teu Eros
teus erros
Edu Liguori
sem dúvida ou sombra
sou épico e soberbo
gramático e astuto
tenho em mim todos
os voos do mundo
e aterrizo no teu colo
teu Apolo
sorria com teus dentes
de estrela
viva com tua sorte
de Vênus
hoje eu tenho anéis
sem medo
teu Eros
teus erros
Edu Liguori
Olá minha cara amiga
a quanto tempo não lhe vejo
andei por aí a tentar preencher
espaços vazios
acabei por te negligenciar
estava ocupado entre caminhos
percorri algumas trilhas novas
sem sucesso
acho que morri
mas o vidro ainda embaça
com minha sôfrega respiração
estou vivo
entre um cigarro e outro
depois de vários tragos quentes
voltei ao lugar em que estava
talvez mais sábio, ou não
me pergunto o que me falta
e abunda o silêncio
nem rezar rezo mais
perdi a fé
dos tropeços e prazeres
tudo abstrato e obscuro
sou ninguém em mim mesmo
enxerto de nada em pele humana
pois é minha amiga
voltei para ti
para não estar tão só
em tuas letras me aconchego
Edu Liguori
a quanto tempo não lhe vejo
andei por aí a tentar preencher
espaços vazios
acabei por te negligenciar
estava ocupado entre caminhos
percorri algumas trilhas novas
sem sucesso
acho que morri
mas o vidro ainda embaça
com minha sôfrega respiração
estou vivo
entre um cigarro e outro
depois de vários tragos quentes
voltei ao lugar em que estava
talvez mais sábio, ou não
me pergunto o que me falta
e abunda o silêncio
nem rezar rezo mais
perdi a fé
dos tropeços e prazeres
tudo abstrato e obscuro
sou ninguém em mim mesmo
enxerto de nada em pele humana
pois é minha amiga
voltei para ti
para não estar tão só
em tuas letras me aconchego
Edu Liguori