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Por que eu louco
me encanto pelas doidivanas
aventuras do tempo e do amor
por que os poetas são assim
novelos de fios desencapados
bisturis afiados
em busca de lábios carmim
ah que loucura e dor
passar todas as incontáveis semanas
rouco
louco em busca do amor
Edu Liguori
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As vezes me confesso
sem padre nem madre
confesso para o outro
a outra a quem ouvir
medo nunca tive de ser
o que sou e onde vou
mau olhado é palha
onde já se viu poeta
cheio de segredos
minha missão é a
confissão
Edu Liguori
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Não tenho lembranças
como queria do teu amor
que foi tão breve e partiu
tanto dissemos e pouco
fizemos nesta imensidão
das tranças e da dor
fugiu ao som rouco
do furacão
Não mais te vi
Não mais te ouvi
Dança e morte
sem dúvidas ou sorte
o balé cigano
do nosso engano
fui seu
você morreu
Por opção
Edu Liguori
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Sou o último que acredita em Goethe
que leu O
que estudou Barthes
que chora com Belchior e Caetano
que espera pelo incondicional amor
acima de todas as coisas
sou o que chamam de trouxa
que riem nos bares
que debocham nos salões
converso com o garçom
e confesso que ela não respondeu
compro flores e bombons
para quem não mereceu
viajo distâncias empoeiradas
escrevo cartas e poemas
por um pequeno ponto obscuro
que acredito será luz
sou o último
e jamais me arrependo
Edu Liguori
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Vivi tantas loucas nuas viagens
em todas elas você foi vertigem
sonhei mil e uma dunas de areia
que o vento levou pelas semanas
gozei as palmeiras e suas sombras
bebi a água dos beijos imaginários
construí tendas de cotidiano e lar
acreditei no que nunca conquistei
dentre todas as fantasias que vesti
esta virou tatuagem por usucapião
Edu Liguori
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Um dia fui herói
no outro lama
de passo em passo
ultrapasso a cama
a rua e a estrada
toda essa vida dói
mas que sabor
tem o pouco amor
que por ventura
durou uma temporada
não salvei ninguém
não poupei um vintém
só a gastura
de transbordar
todo meu penar
Edu Liguori
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Esta noite dormi pelado
no anseio de um melado
açúcar mascavo
cana
nesta cama
nenhum centavo
você não veio
cem anos de solidão
nem os campos de centeio
nem o pão
Edu Liguori
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Quero construir memórias
tijolos de sentimentos nus
armações magnéticas e
ondas sexo ortodoxas
beijar a língua prometida
lamber o seio da vida
rosas e outras flores roxas
palavras assimétricas e
aberturas de todos os baús
com seus contos e histórias
Edu Liguori
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As vezes no meio da noite
fico perguntando por que?
entre nuvens e as estrelas
esse vazio seco universal
do que posso tocar
até o que quero tocar
rompe a temida atmosfera
essa devassa oca vastidão
escura e super silenciosa
os astros assim tão distantes
o vácuo e o frio opressor
galático e imenso o amor
vaga pelo espaço perdido
Edu Liguori
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As vezes odeio ser poeta
desgosto sentir tanto
e saber o gosto amargo
da derrota
As vezes sinto raiva
deste sistema que sequestra
me encanta e desaponta
amarrota
As vezes sou tão só
que ouço meu peito
as células e o sangue
que me sabota
Edu Liguori
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