Os Rios Tarde · Capítulo 16 de 98
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Os Rios

Magoados, ao crepúsculo dormente,

Ora em rebojos galopantes, ora

Em desmaios de pena e de demora,

Rios, chorais amarguradamente,

Desejais regressar... Mas, leito em fora,

Correis... E misturais pela corrente

Um desejo e uma angústia, entre a nascente

De onde vindes, e a foz que vos devora.

Sofreis da pressa, e, a um tempo, da lembrança.

Pois no vosso clamor, que a sombra invade,

No vosso pranto, que no mar se lança,

Rios tristes! agita-se a ansiedade

De todos os que vivem de esperança,

De todos os que morrem de saudade...

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