Os Amores da Aranha Tarde · Capítulo 69 de 98
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Os Amores da Aranha

Com o veludo do ventre a palpitar hirsuto

E os oito olhos de brasa ardendo em febre estranha,

Vede-a: chega ao portal do intrincado reduto,

E na glória nupcial do sol se aquece e banha.

Moscas! podeis revoar, sem medo à sua sanha:

Mole e tonta de amor, pendente o palpo astuto,

E recolhido o anzol da mandíbula, a aranha

Ansiosa espera e atrai o amante de um minuto...

E ei-lo corre, ei-lo acode à festa e à morte! Um hino

Curto e louco, um momento, abala e inflama o fausto

Do aranhol de ouro e seda... E o aguilhão assassino

Da esposa satisfeita abate o noivo exausto,

Que cai, sentindo a um tempo, - invejável destino!

A tortura do espasmo e o gozo do holocausto.

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