Sonata ao Crepúsculo Tarde · Capítulo 22 de 98
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Sonata ao Crepúsculo

Trompas do sol, borés do mar, tubas da mata,

Esfalfai-vos, rugindo, - e emudecei... Apenas,

Agora, trilem no ar, como em cristal e prata,

Rústicos tamborins e pastoris avenas.

Trescala o campo, e incensa o ocaso, numa oblata.

- Surgem da Idade de Ouro, em paisagens serenas,

Os deuses; Eros sonha; e, acordando à sonata,

Bailam rindo as subtis alípedes Camenas.

Depois, na sombra, à voz das cornamusas graves,

Termina a pastoral num lento epitalâmio...

Cala-se o vento... Expira a surdina das aves.

E a terra, noiva, a ansiar, no desejo que a enleva,

Cora e desmaia, ao seio aconchegando o flâmeo,

Entre o pudor da tarde e a tentação da treva.

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