Hércules Tarde · Capítulo 36 de 98
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Hércules

Que vale o orgulho? A dor é, como a vida, eterna;

Mas a força defende, e a compaixão redime.

Sou, na humana floresta a planta heróica e terna:

Contra a violência um roble, e pura a prece um vime.

Por onde reviveu, silvando, a hidra de Lema,

Fuzilou no meu braço a cólera sublime;

Os monstros persegui de caverna em caverna,

Sufoquei de antro em antro a peste, a infâmia e o crime:

E, ó Homem, libertei-te!... E, enfim, depondo a clava,

Inerme semideus, sonhei, doce fiandeiro,

De roca e fuso, aos pés de Onfália, num arrulho...

Alma livre no assomo, e na piedade escrava,

Sou raio e beijo, ardor e alívio, águia e cordeiro,

- A força que liberta, e o amor que vence o orgulho!

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