Miguel Ângelo Velho Tarde · Capítulo 41 de 98
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Miguel Ângelo Velho

"Vieram-lhe o amor e a poesia, no

declínio da vida. Na mocidade, foi

de costumes austeros. Aos cinqüenta

e um anos, conheceu Vittoria Colonna;

escreveu para ela canções, sonetos,

madrigais, exaltação do cérebro,

temperada de misticismo; ela admirou-

o, mas não o amou. Quando Víttoria

morreu, Buonarrotti beijou a mão do

''cadáver, não ousando beijar-lhe a fronte."

(M. MONNIER - La Renaíssance.)

E pensava: - "Perder a chama peregrina,

Que extrai da pedra um Deus, do barro imundo um Santo;

E este punho, que alçou a cúpula divina

De São Pedro, e amassou "Moisés" de luz e espanto;

E esta alma, que arquiteta os mundos na oficina:

O "Dia", força e graça, e a "Noite", sombra e encanto,

E o "Juízo Final" da Capela Sixtina

E "Judit", flor de sangue, e "Pietà", flor de pranto;

Tudo: tinta, pincel, escopro, camartelo,

Ouro, fama, poder, glória, gênio, virtude,

- Por um milagre só, no amor que me abandona:

Morrer, e renascer ardente, moço, belo,

E, como o meu "Davi", clarão de juventude,

Aparecer, sorrindo, a Vittoria Colonna!"

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