Avatara Tarde · Capítulo 82 de 98
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Avatara

Numa vida anterior, fui um cheik macilento

E pobre... Eu galopava, o albornoz solto ao vento,

Na soalheira candente; e, herói de vida obscura,

Possuía tudo: o espaço, um cavalo, e a bravura.

Entre o deserto hostil e o ingrato firmamento,

Sem abrigo, sem paz no coração violento,

Eu namorava, em minha altiva desventura,

As areias na terra e as estrelas na altura.

Às vezes, triste e só, cheio do meu desgosto,

Eu castigava a mão contra o meu próprio rosto,

E contra a minha sombra erguia a lança em riste...

Mas o simum do orgulho enfunava o meu peito:

E eu galopava, livre, e voava, satisfeito

Da força de ser só, da glória de ser triste!

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