A Esfinge Tarde · Capítulo 44 de 98
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A Esfinge

"Bem-vindo sejas à cidade de Cadmo,

nosso libertador e nosso rei, que, com

a tua penetração de espírito e o auxílio

divino, levantaste o tributo de sangue

que pagávamos à cruel Esfinge!"

(SÓFOCLES - Édipo Rei.)

Perto de Tebas, junto a um monte, sobre o Ismeno,

Águia e mulher, serpente e abutre, deusa e harpia,

Tapando a estrada, à espera, - aterrava e sorria

O monstro sedutor, horrível e sereno:

"Devoro-te, ou decifra!" Era fascínio o aceno;

A voz, morna e sensual, tinha afeto e ironia,

Graça e repulsa; e a luz dos olhos escorria

Fluido filtro, estilando um pérfido veneno.

Mas Édipo desvenda o enigma... Ruge em fúria

O Grifo, e escarva o chão, bate contra o rochedo,

Rola em vascas, em sangue ardente a areia tinge,

E fita o campeador no uivar da extrema injúria.

E o Herói recua, vendo, entre esperança e medo,

Rancor e compaixão no verde olhar da Esfinge.

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