Sperate, Creperi! Tarde · Capítulo 33 de 98
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Sperate, Creperi!

Não sei. Duvido e espero. Na ansiedade,

Vago, entre vagas sombras. Se não rezo,

Sonho; e invejo dos crentes a humildade

E o orgulho dos filósofos desprezo.

Como um Jó miserável da verdade

E de receios farto como um Creso,

Adormeço a tristeza que me invade

E engano o coração cansado e leso...

Talvez haja na morte o eterno olvido,

Talvez seja ilusão na vida tudo.

Ou geme um deus em cada ser ferido...

Não afirmo, não nego. É vão o estudo.

Quero clamar de horror, porque duvido:

Mas, porque espero, - espero, e fico mudo.

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