Jocasta Tarde · Capítulo 45 de 98
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Jocasta

"Trevas espessas! eterna, horrível noite!

sou dilacerado pelo espinho da dor e

pela memória dos meus crimes!"

(SÓFOCLES - Édipo Rei.)

Édipo vê cumprir-se o oráculo funesto:

Tebas entregue, em luto, à peste que a devasta,

E, sobre o trono em sânie e o leito desonesto,

Morta, infâmia da terra e asco de céu, Jocasta.

Louco, vociferando, erguendo a grita e o gesto

Contra os deuses, mordendo a poeira em que se arrasta,

O mísero, medindo o parricídio e o incesto,

Quer da vista apagar a lembrança nefasta:

Os dois olhos, às mãos, das órbitas arranca

Em sangue borbotando, em lágrimas fervendo,

Para o pavor matar na esmagada retina...

Mas, cego embora, - vê Jocasta hedionda, branca,

Enforcada, a oscilar, como um pêndulo horrendo,

Compassando, fatal, a maldição divina.

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