A Pítia Tarde · Capítulo 43 de 98
Obra Menu

A Pítia

"Repetiu-me Apolo o vaticínio: que eu

seria o assassino de meu pai; e rei; e

marido de minha mãe, sem a conhecer;

e tronco de uma prole infame!..."

(SÓFOCLES - Édipo Rei.)

Em Delfos. Com pavor, de pé, no ádito escuro,

Édipo escuta... O deus, rugindo de ira e ameaça,

Pela boca da Pítia em êxtase, devassa

O tempo, e o arcano véu destrama do futuro:

"Rolarás do fastígio à ignomínia e à desgraça!

Rompendo de um mistério o impenetrável muro,

Num sólio ensangüentado e num tálamo impuro

Gerarás, parricida, a mais odiosa raça!"

É a Esfinge, a glória, o reino, o assassínio de Laio,

E o amor sinistro... Assim troveja a voz de Apolo

E enche o sacrário... O céu carrega-se de bruma;

Fuzila; estruge o chão; reboa no antro o raio...

E, enquanto Édipo tomba inânime no solo,

Sobre a trípode a Pítia, em baba, ulula e escuma.

1/1
Menu

Fazer anotação