Jesus Tarde · Capítulo 37 de 98
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Jesus

Mas sempre sofrerás neste vale medonho...

Que importa? Redentor e mártir voluntário,

Para a tua miséria um reino imaginário

Invento, glória e paz num futuro risonho.

Para te consolar, no opróbrio do Calvário,

Hóstia e vítima, a carne, o sangue e a alma deponho:

Nasce da minha morte a vida do teu sonho,

E todo o choro humano embebe o meu sudário.

Só liberta a renúncia. Ó triste! a sombra imensa

Dos braços desta cruz espalha sobre o mundo

A utopia celeste, orvalho ao teu suplício.

Sou a misericórdia ilusória da crença:

Sobre a força, a fraqueza; e, sobre o amor fecundo,

A piedade sem glória e o inútil sacrifício!

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