Assombração Tarde · Capítulo 74 de 98
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Assombração

Conheço um coração, tapera escura,

Casa assombrada, onde andam penitentes

Sombras e ecos de amor, e em que perdura

A saudade, presença dos ausentes.

Evadidos da paz da sepultura,

Num tatalar de tíbias e de dentes,

Revivem os fantasmas da ternura,

Arrastando sudários e correntes.

Rangem os gonzos no bater das portas,

E os corredores enchem-se de prantos...

Um mundo de avejões do chão se eleva,

Ressuscitado pelas horas mortas:

Frios abraços gemem pelos cantos,

Beijos defuntos fogem pela treva.

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