Estuário Tarde · Capítulo 88 de 98
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Estuário

Viverei! Nos meus dias descontentes,

Não sofro só por mim... Sofro, a sangrar,

Todo o infinito universal pesar,

A tristeza das cousas e dos entes.

Alheios prantos, em cachões ardentes,

Vêm ao meu coração e ao meu olhar:

- Tal, num estuário imenso, acolhe o mar

Todas as águas vivas das vertentes.

Morre o infeliz, que unicamente encerra

A própria dor, estrangulada em si...

Mas vive a Vida que em meus versos erra;

Vive o consolo que deixei aqui;

Vive a piedade que espalhei na terra...

Assim, não morrerei, porque sofri!

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