No Tronco de Goa Tarde · Capítulo 42 de 98
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No Tronco de Goa

Camões sofre, na infâmia da clausura,

Pária sem honra, náufrago sem nome;

E rala, na saudade que o consome,

O pobre peito contra a pedra dura.

O seu gênio ilumina a abjeta lura...

Mas a vida das carnes se lhe some:

Míngua de pão, e, outra mais negra fome,

Indigência de beijos e ventura.

Do próprio fel, dos íntimos venenos,

Faz a glória da pátria e a luz da raça;

E chora, na ignomínia. Mas, ao menos,

Possui, na mesquinhez da terra crassa

E na vergonha de homens tão pequenos,

O orgulho de ser grande na desgraça.

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